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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

Luiz Melodia por Dafne Sampaio/Gafieiras

Luiz Melodia

parte 24/25

Eu era mais fissurado pela música

Max Eluard – Luiz, hoje a música significa para você a mesma coisa que ela significava quando você começou a carreira?
Melodia – Tem! Lógico que de maneira diferente. Hoje, sou menos fissurado. Antigamente, eu era mais fissurado. Estava toda hora… Hoje sou mais preguiçoso. [ri]
Max Eluard – É a história do Caymmi, né?
Melodia – [ri] Ele está sacando tudo! [risos] Mas não que eu esteja de bobeira. Estou ligado! [risos] Pô, o Caymmi já é um senhor.
Jane – Não sei, mas você parece com ele. [risos]
Max Eluard – Isso foi um elogio.
Almeida – Luiz, e como você se vê lá para a frente, a sua velhice. Você vê uma velhice produtiva, ainda?
Melodia – Ah! Claro! Creio que a produção não seja em quantidade, mas o trabalho que você faz, acho que é mais ou menos por aí.
Almeida – Você não se vê como um cara que “Agora, aposentei. Parei, já fiz o que eu tinha que fazer. Vou deitar na minha rede!”?
Melodia – Não, não, não.
Seabra – Viver da renda da aposentadoria privada…
Melodia – Sou inquieto. Parece que sou uma coisa meio Caymmi, mas não, sou inquieto pra caramba. Jamais. Fico pensando coisas, é impossível eu parar. É uma coisa que não cabe em mim. Por exemplo, penso nesse disco de samba. Aí, fico pensando em um disco interessante, em fazer…
Seabra – Você está falando em projetos de dois discos. Decididamente, não está em clima de calmaria.
Melodia – Pois é, porque a cabeça funciona. É como estou falando, a qualquer momento posso entrar no estúdio e mudar tudo. [silêncio]
Tacioli – Maravilha.
Max Eluard – Tá ótimo.
Almeida – Ótimo.

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