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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

Luiz Melodia por Dafne Sampaio/Gafieiras

Luiz Melodia

parte 23/25

A infância talvez seja a nossa época mais mentirosa

Tacioli – Enfim, para fechar. Você sente saudade de quê? Dos anos 60, 70, da infância?
Melodia – Ah, tenho, pô! Principalmente da minha infância. Você não tem, não?
Max Eluard – Porra!
Almeida – Rapaz, eu não tenho.
Melodia – Só se foi muito ruim. É mesmo? Não sei se muito ruim, sei lá, qual o trauma? [ri]
Max Eluard – O que dá saudade da infância é aquela sensação de que tudo estava para acontecer ainda, né?
Melodia – Acho que infância, você não precisa dizer o que é. Infância é infância, porra, como é que você vai falar? Talvez seja a nossa época mais mentirosa. [ri] Sério, não é isso?
Tacioli – E do que mais você tem saudade?
Melodia – Olha só, na minha infância, do Seu Baldo, desse cineminha que tinha lá no São Carlos, da minha vó, que morava no Jacarezinho, que era maravilhosa. Eu ia sempre pra lá soltar pipa. Saía do São Carlos, do Jacarezinho, porque era assim, de quilombo pra quilombo, e encontrava com a minha vó. Ela morreu com 104 anos.
Almeida – Pelo amor de Deus.
Seabra – Oloco!
Jane – 112!
Tacioli – 112?
Melodia – 112?
Almeida – Nossa, é coisa, hein?
Melodia – Então, é marcante, uma lembrança fantástica. Eu lembro que em cima do barraco tinha umas abóboras, uns pés que cobriam o barraco, mas era muito foda…
Max Eluard – Aí, tirava a flor e a fritava. Era isso?
Melodia – Era impressionante! Cortava a abóbora para cozinhar, ou senão os brotos e… Ô menino esperto! [risos] Tinha essa onda! Eu adorava ficar na casa da minha vó! Vó é vó, né?! A gente se dava maravilhosamente bem.
Max Eluard – Vó é a parte boa dos pais.
Melodia – Então, é uma lembrança bacana, muito marcante. E os mergulhos na praia, no Calabouço, que era uma praia que tinha no Flamengo, junto ao Santos Dumont. Não sei se vocês ouviram falar no Calabouço? E o bonde, né? Bonde era foda!

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