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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

Luiz Melodia por Dafne Sampaio/Gafieiras

Luiz Melodia

parte 21/25

E o próximo disco será só com músicas minhas

Tacioli – Luiz, como você olharia para a sua carreira, do começo, em 1973, a 2001/02? Que mudanças houve nesse percurso que você consegue pontuar?
Melodia – Houve muitas coisas positivas, mas ainda hoje acho que poderia ter uma atenção voltada ao que eu faço, uma mídia mais merecida. Essa coisa nunca vi positiva, embora sendo respeitado até por jornalistas. Porra, nunca tive qualquer reclamação, também nunca vou ter, jamais, ainda mais agora, imagina. Mas eu acho que foi positiva durante esses 30 anos de carreira. Eu me mantive, com os meus esforços e os de quem estava participando comigo, bem legal.
Max Eluard – Mas você vê momentos que marcaram uma transformação, uma mudança na sua carreira?
Melodia – Cada dia é uma mudança, velho. Não cada dia, mas cada vez que eu gravo um disco existe uma mudança. Principalmente em cidades grandes como São Paulo. Como vou dizer?
Seabra – Onde você acha que sua mensagem circula mais, é isso?
Melodia – É. Com certeza.
Tacioli – E musicalmente, que mudanças você vê do primeiro disco a esse?
Melodia – Estou sempre procurando mudar no sentido musical, isso por ser eclético, né? Então, acho que nunca vou ter obstáculo no que eu faço, até porque é variável: faço samba, faço reggae. Então, as mudanças estão por aí, sei lá.
Tacioli – Mas você acha que existe essa cobrança de quem escreve, de quem te ouve, sempre comparando seu trabalho mais recente aos primeiros discos? Você sente isso, Luiz?
Melodia – Ah! Isso sempre acontece, principalmente com o primeiro disco, Pérola negra. Vira e volta estão fazendo essa comparação, que é um dos melhores discos que fiz na minha carreira, mas acho que não é por aí. Tenho certeza de que cada um é uma coisa, embora sendo o Pérola negra marcante pra caramba, né? Esse, o Retrato do artista quando coisa, não tem nada a ver com nenhum deles, pelo contrário, acho superautêntico, até porque ele é explicitamente eclético. Tem um samba, tem um reggae. Talvez tenha sido o mais eclético de minha carreira. Tem samba, samba-canção. Não é romântico, é um disco que tem tudo.
Tacioli – Ele é o retrato do compositor aos 50 anos?
Melodia – Ah, não sei se é não, acho que tem mais coisas. Estou pensando em fazer mais alguns trabalhos. Posso até dizer que este Retrato do artista quando coisa é uma coisa tão distante do que ainda vou fazer, tão fora da realidade do que ainda vou fazer. E o próximo será só com músicas minhas, o que minha mulher mais gosta. “Eu gosto que você componha, você e você, mais ninguém!” [risos]
Jane – Olha, os seus parceiros vão brigar comigo! [risos]
Almeida – Ele jogou a bola para o seu lado, hein, Jane?
Melodia  Sempre jogo a bola para o lado dela.
Denise – Meninos, daqui a pouco…
Tacioli – Já estamos fechando, Denise.
Melodia – Garçom, mais umas quatro cervejas, por favor.

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