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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

Luiz Melodia por Dafne Sampaio/Gafieiras

Luiz Melodia

parte 20/25

Uma das primeiras apresentações que fiz em SP foi no Oficina

Melodia – Você é de onde, velho?
Max Eluard – Daqui de São Paulo.
Almeida – Ribeirão Preto.
Tacioli – Jundiaí.
Seabra – São Paulo, mas com criação em Jundiaí.
Melodia – E você?
Sampaio – Fortaleza.
Melodia – Ah! Você já é do outro lado.
Almeida – Mas a gente se conheceu em Ribeirão.
Max Eluard – Nós três.
Melodia – Eu estava em Natal, sabia?
Sampaio – Agora?
Melodia – É, vim de lá para cá. Sol lindo, maravilhoso. Não estava com porra nenhuma de vontade de vir para cá. [risos] Ainda chegou a Jader lá para fazer uma gravação.
Max Eluard e Sampaio – A Jader? [risos]
Melodia – A Jader e a turma toda do Clone lá.
Sampaio – É o fim da novela.
Max Eluard – Luiz, o que você sente quando você chega a São Paulo, você que foi criado no Rio de Janeiro? O que você acha dessa cidade?
Melodia – Depois do Rio Janeiro, acho uma cidade maravilhosa. Porque, na verdade, foi aqui que aconteceu mesmo tudo. O primeiro show que fiz aqui. Tinha dez pessoas! Foi naquele teatro… Celso…
Tacioli – No Oficina?
Melodia – Sim.
Tacioli – Zé Celso.
Melodia – É, Zé Celso. Eu me lembro que uma das primeiras apresentações que fiz foi ali. Tinha pouquíssimas pessoas.
Tacioli – Quando? Você já estava com disco?
Melodia – Não. Era um hippie na época. Um hippie no bom sentido, porque era eu e o Renato Piau, que me acompanha há 200 anos. Aí aconteceu um show. Não tinha ninguém. Pois é, aí teve essa ligação afetiva com São Paulo que foi um barato. Não deu para esquecer mais. Lembro que tinha uma rua que eu queria conhecer que era a rua Augusta. Porra, como eu queria conhecer a rua Augusta! Como ouvia falar! Até pela Jovem Guarda. Tem todo esse carinho. E foi a rapaziada que me acolheu de uma maneira positiva pra caralho. Até hoje tenho a maior firmeza. E em um dos momentos mais difíceis meu, de loucura, de não estar bem, aqui me aplaudiram. O Rio de Janeiro é preconceituoso pra caralho!
Max Eluard – É mais provinciano.
Melodia – Provinciano, é verdade. E aqui, não. Essa lembrança é muito marcante. Gosto pra caramba de São Paulo, sem demagô, numa boa. Tenho muitos amigos, de médicos a mendigos. Verdade! Muita gente conheci aqui, mas me casei com uma baiana. [risos]

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