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Entrevistas de música brasileira

Luís Vagner

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Luís Vagner

parte 8/23

O maestro Edmundo Peruzzi foi crucial em minha vida de arranjador

Tacioli – Os Brasas foram até 69?
Luis Vagner – Isso. O produtor perdeu a música que a gente gravou, “A gata”. Estávamos fazendo um disco – já vínhamos com o samba-rock incluso, com umas músicas de característica tropical, 100% brasileiras, “Depois da chuva”, “No posto 4”, “A gata”, “Menina Carolina”. Gravamos umas duas ou três coisas de grupos italianos, porque gostávamos muito das melodias. E também de compositores brasileiros como “Mulher rendeira”.
Tacioli – Li no site Senhor F que a versão de vocês de “Mulher rendeira” era bem punk.
Luis Vagner – “Mulher rendeira” era uma loucura. Na época tinha umas coisas assim. Sabe, estive agora no Rio Grande do Sul e fui elogiado por um menino que produz uns grupos, “A gravação de vocês do ”Beija-me agora”…” “”Beija-me agora”?” [risos] “Tinha uma bateria…” Não sei o que ele disse. “É mesmo? Mas que beleza!” É uma coisa legal, mas a gente não tinha referência, não tinha como. Você cria as coisas porque você tem vontade de fazer e se expõe a tomar uma bomba atômica, uma pressão de ser chamado de qualquer coisa, de ridículo, por exemplo, mas você vê que no decorrer do tempo que você acreditou em algo que é a tua essência, que é honesto e sincero, independentemente do conceito que está sendo vivenciado no momento. Esses discos que fiz agora, fiz todos eles humanos, a bateria tocando, Luiz Américo, com participações especiais, Paulinho Cerqueira, Paulinho Calazans, Marcos Farias, Jorge Luiz Fox, com grandes músicos. Trouxe do sul Dê Santana, percussionista, Luiz Carlos de Paula; toquei com o pessoal do Funk Como Le Gusta.
Tacioli – Vocês também acompanharam o Ronnie Von em “Silvia, 20 horas, domingo”, não?
Luis Vagner – Isso. Uma composição minha e do Tom Gomes.
Tacioli – E como foi essa gravação? Como surgiu essa música?
Luis Vagner – Foi uma homenagem à Silvinha, esposa do Eduardo Araújo. O Tom trabalhou comigo na letra dessa música. Foi um momento legal, porque conseguimos gravar também com a Cely Campello [canta] “Lacinhos cor-de-rosa / Que você tem em sua cabeça / Se quiser me conquistar / Você cresça e apareça”. Eu chorava quando ouvia essa música. Gravamos com o Demétrius e Sérgio Reis, inclusive uma versão de “Here, there and anywhere”. A gente gravava com todo mundo da Odeon. E depois eu ia para o Rio de Janeiro e gravava com os músicos do Renato e seus Blue Caps, na CBS, com o pessoal dos Fevers, com o Marcelo Sussekind. Gravava com essa rapaziada. Tivemos um programa na televisão Tupi, do Rio de Janeiro, Os jovens maravilhosos e seus ritmos alucinantes, e a gente acompanhava todo mundo. Era uma outra natureza, enfim, a gente não se via somente só como um conjunto de frente, mas acompanhando as pessoas que cantavam. Havia isso na nossa época! Quando o maestro Edmundo Peruzzi apareceu – ele foi crucial para nos tornarmos um bom grupo de estúdio, para nos despertar para outros caminhos que tem o músico em seu desenvolvimento – fortificou muito a minha visão, a minha prática de arranjador de base – não de cordas – para os meus discos. Ele foi crucial em minha vida. O pessoal fala muito em Rogério Duprat, mas naquela época, outro grande maestro jovem que deu um grande apoio para toda uma geração de músicos de guitarras e metais se chamava Edmundo Peruzzi. Ele já fazia música negra na época: trompete forte, com metais rítmicos. Trabalhamos com Eduardo Araújo, com a Silvinha. Os Brasas também fizeram muito sucesso com o Deno & Dino. Chegamos a gravar com muitas pessoas, e trabalhamos com maestros como Cyro Pereira e Renato de Oliveira. E isto tudo veio através desse homem formidável que nos ajudou. Então, é esse o lado do convívio, do aprendizado que eu estava falando antes.

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Samba-rock
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