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Entrevistas de música brasileira

Luís Vagner

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Luís Vagner

parte 3/23

Fiquei doidão com o Little Richard, o Chuck Berry e o Bill Halley

Sampaio – E como foi a chegada do rock aos seus ouvidos?
Luis Vagner – O rock? O papai me levou para assistir a um filme, No Balanço das horas [n.e. Película que estreou no eixo Rio-São Paulo em janeiro de 57 e, em Porto Alegre, em fevereiro]. E eu voltei para casa e escrevi no violão – já havia ganho um violão – “Rei do rock and roll”, escrevi do meu jeito. Mas o meu rock and roll já era uma fusão de tudo aquilo… Uma harmonia blues, três acordes – eu já conseguia fazer esses três acordes. Então, eu cantava tudo que era música com aqueles três acordes. Passava o dia inteiro improvisando, sabe como é? [risos] Ah! Que maravilha! Daí eu vi Little Richard, Tina Turner, Chuck Berry, Bill Halley e seus Cometas, os Diamonds.
Almeida – Mas você já comprava discos, Luis?
Luis Vagner – Não, não. Eu tinha 8, 10 anos.
Tacioli – E como o seu pai, que tinha uma formação jazzística e de música instrumental, recebeu essa coisa do rock and roll? Teve alguma imagem ou alguma frase que marcou esse momento?
Luis Vagner – Não, foi o papai quem me levou ao cinema. “Tem uma onda no mundo agora, da juventude, eu quero que você veja qual é! Vamos para o cinema!” Daí já saí doidão de lá. [canta] “Lucille …” Fiquei doidão com o Little Richard, o Chuck Berry e o Bill Halley, solo de guitarra. [vocaliza o solo] Fiquei doidão! “Sou dessa tribo aí! Eu sou dessa tribo aí!” [risos]
Monteiro – Foi aí que você descobriu o que era a guitarra?
Luis Vagner – Foi, porque eu tocava violão. Eu ganhei um violão de um cara que faltou com o respeito com a minha avó no restaurante do vovô. O cara mexeu com a vó – não sei se tentou passar a mão nela – e vovô deu uns “facãozaços” nele. “Já que você deve, passa esse violão pra cá! E vai-te embora, saia daqui!”. Meu primeiro violãozinho! Foi assim. E me despertou muito cedo. Aí comecei a cantar, queria cruzar com os amigos que tivessem uma ligação com isso também, e era difícil ter um amigo com a mesma idéia. E eu, menino, jogava basquete e futebol nos clubes da cidade, que eram o Rio-Grandense e o Ideal. Um era o clube da cidade, e o outro era um de time amador. Eu jogava basquete no Atlético.

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