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Entrevistas de música brasileira

Luís Vagner

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Luís Vagner

parte 21/23

Com 42 anos, fui para a França e joguei em um time da 3ª Divisão

Tacioli – Luis, já estamos encerrando. Não sei se alguém tem mais alguma pergunta.
Luiz Paulo Lima – Eu tenho uma, é rapidinha. O Luis é fanático por futebol. E tem uma história do “Camisa 10” que é legal.
Luis Vagner – Sempre gostei de futebol e sempre joguei.

Tacioli – Em que posição?
Luis Vagner – Centroavante.
Tacioli – Centroavante?
Luis Vagner – A vida inteira, centroavante.
Tacioli – Goleador?
Luis Vagner – Goleador, goleador! Inteligente e bom finalizador.
Monteiro – Luis Vagner é nome de jogador.
Luis Vagner – Não é mesmo? Luis Vagner. Joguei no sul, no Riograndense, no Ideal, no infanto-juvenil do Grêmio. Depois vim para São Paulo onde tive a oportunidade de jogar nas quebradas. Joguei na Zona Leste, joguei em um time chamado Magnatas, na Raposo Tavares. Depois fui para a França e joguei, com 42 anos, em um time da 3ª Divisão do Campeonato Francês. Eu era o mais velho. Toninho Crespo, o guitarrista, também jogou nesse time. E o Evaldo Correia, batera, também. Éramos os brasileiros. Chegamos a participar da Copa da França também. Chegamos a jogar contra um time misto do Paris Saint-Germain. O futebol sempre foi algo muito importante em minha vida. Tive um tio, que era o goleador do XIV de Julho do Livramento, no Sul do Brasil. Ele para ter vindo ao Santos na época do Pelé. “Aí, seu Coutinho, seu Pagão, olha aí!” [ri] E jogo bola com os amigos que me ajudam, Romeu Cambalhota, Zé Carlos, o treinador. O Brasil já teve um time com uma ginga espetacular, com molejo, samba bom. Ninguém sambava duro que nem Michael Jackson. Era mais manha, sensual. Hoje os caras não estão conseguindo driblar nem a Bolívia, meu!
Luiz Paulo Lima – É que o futebol da Bolívia evoluiu! [risos]
Luis Vagner – É que a Bolívia também evoluiu! [ri] Acho que isso também é o samba bom. Precisa ter aquele suingue gostoso, é preciso que o sangue toque em todas as artérias, na alma da gente. Se não, não passa nem pela Bolívia, Equador, Uruguai. Dribla o cara e ele não sai da frente. Sou do tempo em que se driblava e se passava pelos caras. Futebol tem tudo isso.
Monteiro – Então foi fácil para você fazer a “Camisa 10”?
Luis Vagner – Fomos eu e o Helinho Matheus. Vimos o Brasil jogar e fizemos o samba. “Desculpe seu Zagallo”, mas o Zagalo agora é o Felipão! Felipão é rigoroso, gauchão, conterrâneo. Família Felipão! Tem uma gurizada espetacular, hein! Tem jogador bom. Se nego tiver com a cabeça boa para jogar bola… Nego tem feito muito contrato ultimamente. [risos] Futebol brasileiro é uma coisa linda, uma arte fantástica, faz parte da gente. Mas vamos jogar contra os franceses, por exemplo, que também evoluíram bastante! [risos] Meteram três na gente na última final. Mas se eles jogarem bola direitinho, chegaremos lá.

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