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Entrevistas de música brasileira

Luís Vagner

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Luís Vagner

parte 1/23

Meu avô paquerou a velha lendo um jornal de cabeça para baixo

Luis Vagner [Enquanto acerta as cadeiras dos entrevistadores em uma das salas do estúdio] – Essas cadeiras estão muito loucas. [risos] – Isso é só para segurar as costas, né? Cuidado com essa daqui! Ela leva o nego para o mau caminho. E que site doido é esse, gurizada?
Daniel Almeida – Você não chegou a conhecê-lo, Luis?
Luis Vagner – Nada. Eu não conheci nada. Estava contando para o Ricardo, fui fazer um disco no Rio, voltei e não vi coisa nenhuma. Só ensaio e gravação. Fiquei por fora de tudo. Opa! [Flávio Monteiro acaba de chegar]
Flávio Monteiro – Oi, tchê!
Luis Vagner – Tudo bem?
Monteiro – Tudo bom?
Luis Vagner – Por favor.
Monteiro – Já estamos na ativa?
Ricardo Tacioli – Só estou calibrando o MD.
Monteiro – Já está valendo?
Luis Vagner – Os caras são violentos. Já está valendo? Êta!
Monteiro – Vai ser divertido. [Luis Vagner mostra seu álbum de fotografias]
Tacioli – Você tem fotos dos Brasas?
Luis Vagner – Puta, não sei se tenho aqui.
Tacioli – Tudo bem. E com os Jetsons? [risos] Que é mais antigo ainda.
Luis Vagner – Tenho da orquestra do meu pai com a Angela Maria.
Dafne Sampaio – Copacabana Serenaders?
Luis Vagner – É! Aqui tem umas coisas. Deixem-me colocar os óculos. Fui correndo pegar o álbum hoje e me atrapalhei todo por causa de vocês. Sou atrapalhadinho por natureza. Tenho guitarra desde os 12 anos. Para se ter guitarra tinha que mandar fazê-la. Esse aí era o Bedeu. Grande compositor, locutor maravilhoso.
Sampaio – Você tem várias parcerias com ele, né?
Luis Vagner – Sim. Um grande amigo. Era dos “negão roqueiro”, manja como é que é, com 12 anos, lá no começo? Essa aqui é uma banda que eu tive. Eu, o Leno, o Raul Seixas, o Serginho, e esse aqui até agora não sei quem é. [risos] Tiramos fotografia, fizemos um show e nunca mais nos vimos. “Raul, porra, só na outra agora!” [risos] Meu estilo era esse daqui.
Monteiro – Quando você deixou os dreads?
Luis Vagner – Os dreads? Pela primeira vez em 76. Depois, 78.
Monteiro – E de 78 para cá?
Tacioli – Só cultivando?
Luis Vagner – Vinte e quatro para vinte e cinco anos. Agora parei aqui, né? Nessa reportagem, o Marcelo Fróes – phd em Beatles… Eu estava no dentista, abri um negócio e “Não é possível!”.
Monteiro – Vocês se juntaram para tocar Beatles?
Luis Vagner – Aqui era rock puro, um quinteto, duas guitarras, baixo e batera, essas coisas assim. Esse era o Raulzito. Um pouquinho depois desse encontro ele arrebentou com o “Ouro de tolo”. 1971, 72. E esse cara [n.e. Marcelo Fróes, pesquisador e produtor musical] fez uma reportagem em que cita o Raul e a influência dos Beatles, mas não me cita. Ah! Fiquei bravo. [risos] “Meu, tem uma falha no negócio! Sou da falange, mas sou da falange da negadinha. É, da negada, quando os Beatles influenciam o lado da black music brasileira, da música negra brasileira. Depois falei com ele. “Marcelo, tenho uma reportagem sua, não sei nem de que ano é.” Ele ria de montão. “Vagner, eu esqueci. Não liguei as coisas!”
Tacioli – Bom, acho que podemos deixar as imagens para depois.
Luis Vagner – Aqui com o Roberto Menescal. Peguei umas coisinhas. Não tem Os Brasas, mas estou aqui com o Franco, quando éramos dos Jetsons. O Franco vocês conhecem, né? É o pai do KLB, o empresário do Zezé Di Camargo & Luciano. Aqui era o nosso pacto de amizade quando menino.
Tacioli – Você ainda fala com ele?
Luis Vagner – Porra nenhuma! [risos] Estou aqui com Tom Gomes, a dupla de compositores, com 18 anos. Aqui, o compadre Branca Di Neve, o Marku Ribas, em 78. Aqui já era Os Garotos da Orgia, em Porto Alegre. Está aqui o Bedeu, eu, o Lelé – um compositor -, João Sete Cordas – famosíssimo lá. Muito som! Tinha uma influência do samba-rock nessa falange. Os Garotos da Orgia, imaginem! Aqui o meu avô, a minha avó e o meu pai. São fotografias dele. Ele era fotógrafo. Olhem a picada do negão! O negão era turista. O dia em que encontrou com ela, ele começou a aprender a ler. Paquerou a velha lendo um jornal de cabeça para baixo! [risos] A velha não agüentou. O jornal, na época, lá no sul, na fronteira, não tinha foto. O jornal de cabeça para baixo, e ainda fazia pose para ela. “Mas eu gostei dele! Fui lá e virei o jornal. Aqui é a letra ”A”.” E aqui é a minha mãe, só para vocês saberem, no dia em que eu a encontrei depois de 38 anos. Tinha perdido. Essas histórias, novela das oito. E aqui eu com as minhas filhas.
Tacioli – Você tem três filhas, Luis?
Luis Vagner – Tenho, tenho. Na verdade… [risos] São dois meninos e duas meninas, e uma que apareceu depois. Quase morri. Vocês imaginam o que aconteceu? “O quê?!”
Almeida – Mas muito tempo depois?
Luis Vagner – Quatorze anos.
Almeida – Poxa.
Luis Vagner – Aquela picada em que estou com o Raul é dessa época. Eu usava esse chapéu, esse casacão no Rio, em Porto Alegre, em qualquer lugar, tanto no frio, como no calor. [risos] Ô, Luiz! [Luiz Paulo Lima, assessor do Luis Vagner, chega e cumprimenta todos]
Tacioli – Ótimas fotos!
Luis Vagner – Legal, né?
Tacioli – Posso colocar o microfone na lapela?

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