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Entrevistas de música brasileira

Luís Vagner

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Luís Vagner

parte 14/23

Não sou um artista que conta com o apoio da gravadora

Monteiro – O Moacyr Luz comentou que existem dois planos no mercado musical: um dos milhões de cópias e um outro, menor, mas que no Brasil não encontra estrutura para se abrigar. Você acha que o caminho não passa por aí, de existir uma estrutura menor para que esse povo possa sobreviver bem?
Luis Vagner – Mas é exatamente isso que a gente faz, agora mais do que nunca. É isso que faço para viver dignamente, para você trabalhar, ter a sua equipe, ter um grupo de músicos, que também tem suas famílias. Você tem que ter essa pequena base para conseguir fazer as coisas, para conseguir tocar para a sua gente. Vai vazando por outro lado.
Monteiro – Com uma estrutura que te ampare além da produção do disco.
Luis Vagner – É, parece-me que agora estão começando a rolar algumas coisas assim no Brasil, tem umas duas ou três firmas. Na verdade, fiz um disco para a gravadora Paradoxx, que queria uma coisa e eu fiz uma coisa e uma outra. Uma em função do samba-rock e outra do meu Brasil sulrealista. O disco do samba-rock aceitaram. Estou começando o trabalho, mas posso dizer que não sou um artista que conta com o apoio da gravadora ainda, entendeste? Tenho o apoio do meu amigo, Luiz Paulo Lima, que vem me ajudando, porque a própria gravadora não está em completa união em si. Eles mesmos vivem um problema. Vamos aguardar esse problema ser resolvido para ver o que se pode fazer por aí. Ou seja: a gente tem que cuidar da carreira, independentemente da gravadora, porque ela quer vender discos. Se a gravadora se interessar, a gente pode se tornar um vendedor de discos maior. E isso fará com que a nossa música possa ser ouvida por um número maior de pessoas. Eu acredito no trabalho, como sempre acreditei e sempre sobrevivi dele e por ele, ou seja, da música. Esse é o meu ponto, é a minha confiança, a minha convicção.
Monteiro – Se você prepara um disco e lança por uma major na ilusão de que vai ter um trabalho diferenciado, isso não vai acontecer. Ela vai trabalhar somente com três peixes grandes. Ela não vai cuidar do seu disco, mas sim do Zezé Di Camargo & Luciano.
Luis Vagner – É verdade, ou então em um daqueles que ela segura e banca, dos escolhidos.
Monteiro – Dos amigos do rei.
Luis Vagner – Exatamente. Existem esses. E esse lado aí é o que me faz pensar que para ser isso você tem que estar firme no poder. Todo artista quer fazer um trabalho que possa ser desenvolvido corretamente, mas isso é muito difícil de acontecer. Às vezes, um é escolhido e colocado. Mas aí você também vê muitos artistas aparecerem e sumirem rapidamente. Daí vem aquele lado que falei para vocês: o cara tem que estar preparado para certas coisas. Você vê muita gente subir, muita gente cair, muita gente subir, muita gente cair. E tem aqueles que são artistas mesmo, que o povo ama e cuida deles, estejam onde eles estiverem. É nesse tipo de artista que eu acredito, mesmo que não esteja naquela posição, mas ele terá o público que o quer, que o respeita, que sabe o que ele faz, reconhece, gosta, e que te proporciona uma oportunidade de trabalhar. Isso é maravilhoso. Penso que todo artista deve pensar assim.

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Samba-rock
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