gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 7/18

“Fazer ou não fazer playback?!”

Max Eluard – Qual seria a diferença se vocês não tivessem passado por tudo isso logo de cara?
Camelo – A maneira da gente descobrir o tamanho do nosso desconforto foi sentir o desconforto. Foi a maneira que a gente aprendeu. Ah, as discussões são muito subjetivas: “Fazer playback ou não fazer playback?!”, “É a sua música ali, é você, qual o problema?”. Pra tudo existe uma argumentação subjetiva… E a gente foi com espírito jovem e desbravador tentar fazer as coisas que diziam pra gente que eram importantes para a nossa carreira. E a gente foi tateando, descobrindo o que era tranqüilo fazer e o que nos dava desconforto. Hoje a gente tem essa medida com muita clareza. Acho que ter passado por isso nos dá o exato peso das coisas.
Bruno – A grande medida é tentar refletir sobre… Acho que só existe um jeito de fazer isso… porque é claro que você sempre pode fazer um pouco mais, ceder uma coisa aqui, fazer uma coisa desconfortável… mas a medida é essa, é o nosso Norte até hoje: o que eu sinto bem fazendo e o que não… Isso também pode mudar, claro, mas a medida é essa… “Ah, o programa tal tem 45 pontos de audiência!”… mas eu não quero aparecer desse jeito! E as pessoas em sua volta te cobrando, falando que vai ser uma merda porque se fosse ao tal programa era certeza de três meses de shows… É uma merda! E não tem nada de heroísmo, não, a gente não é uma resistência heróica… É simplesmente a medida que se você todo dia fizer uma coisa que não quer, uma hora fica ruim.
Amarante – Como esse caso do playback… A gente não faz playback. Então a gente tem um contrato com uma gravadora, a gente faz um disco e eles vendem esse disco. Pra vender o disco eles promovem… E aí é que tá a nebulosa, né? Mas nessa relação, que deve ser uma relação madura, boa, as pessoas tendem a achar que a gravadora é um patrão e o artista é empregado. Só é assim se o artista quiser e se sentir bem. Alguns se sentem bem assim. Mas a gravadora pergunta o que a gente prefere fazer e a gente prefere tocar. Aí entra outra questão porque o som da televisão é tratado como qualquer coisa, porque o playback é o praxe. Então, tocar na televisão é, normalmente, muito ruim. O programa que te chama não deixa seu técnico de som, que conhece sua música, mexer na mesa. E isso não faz nenhum sentido porque o técnico do programa não conhece o som que vai vir. É uma coisa meio arcaica, meio amadora. Precisaria ir mais vezes, conhecer os caras e, a longo prazo, conseguir fazer o som ficar bom. A gravadora pode dizer: “No playback o som é bom e se tocar vai ficar uma merda”. Realmente. Mas a gente até falou com a gravadora [n.e. Sony BMG] pra ver se não é possível conversar com as emissoras de TV e tentar mudar esse padrão. É um esforço de longo prazo.
Bruno – A qualidade tem pouca importância

Tags
Los Hermanos
de 18