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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 4/18

Fiz um ''Cai, cai, balão'' e minha mãe achou foda!

Tacioli – Todos passaram a infância no Rio?
Barba – Não, eu passei em Minas.

Tacioli – E como era lá?
Barba – A mesma coisa. Meu pai escutava muita MPB e rock’n’roll. A infância foi assim. Aí na pré-adolescência, 10, 12 anos, comecei a comprar discos.

Almeida – E o que você escutava?
Barba – Na época eu escutava metal e hard-rock. [risos]
Camelo – Progressivo também. [risos]
Amarante – Eu ouvia rock triste… [risos] Tipo Smiths, Cure, U2…

Almeida – Mas tem uma semelhança, não tem? Não digo pelo som, mas de uma aura meio cult…
Amarante – É, o primeiro disco que eu comprei foi do Smiths, depois Cure e U2… mas aí logo depois tem aquela coisa anos 70… um pouco mais velho, cê já sabe de mais coisas… Aí cheira loló e quer ouvir Led Zeppelin! [risos]
Barba – The Doors. [risos]
Almeida – Maior junkie da parada. [risos]
Amarante – É normal. Depois tem a fase Ramones…
Bruno – Eu venho de uma casa pouco musical. Meus pais não eram de comprar discos. Havia uns discos de novela. Via muita televisão e ouvia rádio também, mas despertei pra música muito tardiamente. Vejo que as pessoas costumam comprar o primeiro disco aos 10 anos e comigo fui mais tarde. Brinquei até mais tarde. Só fui me envolver com música quando comecei a aprender teclado, com 14 anos. Quer dizer, fui ouvir música mesmo junto com produzir música. É engraçado porque as pessoas perguntam de influência de teclado e eu não tenho nenhuma. Minha história é muito fragmentada, mas eu acho isso ótimo porque não tenho vício nenhum. Pego as coisas de uma forma muito solta.

Manoela Ziggiatti – E você escolheu o teclado como?
Bruno – Não escolhi. Foi escolhido. Uma vez achei um tecladinho Hering na casa da minha avó. Era da minha tia. Aí eu peguei e fiz um “Cai, cai, balão” e minha mãe achou foda!
Almeida – O melhor “Cai, cai, balão”! [risos]
Bruno – Aí ela uma vez entrou num free shop… e havia essa onda nos anos 90… Meu tio trabalhava na Receita Federal e colocava minha mãe pra dentro pra comprar umas coisas dos Estados Unidos. Aí ela comprou um teclado e disse: “Comprei pra você”. Tá bom. Foi assim que eu comecei a ter aula de teclado. Talvez hoje em dia eu escolhesse guitarra ou algo assim, mas agora tá tarde pra mudar. [risos]
Barba – Nunca é tarde pra mudar, Bruno! [risos]
Bruno – Mas eu tenho preguiça de começar tudo de novo. E o emprego aqui é pra teclado. [risos] Guitarra já tem duas.
Amarante – Eu posso começar a tocar teclado um pouquinho!

Tacioli – Mas você tem noção de outros instrumentos?
Amarante – Ele sabe que tem umas cordas… [risos]
Bruno – É só me dedicar. Meu irmão mais novo começou agora a tocar guitarra e pegou super rápido. O básico.
Barba – Quando se é mais novo pega mais rápido mesmo.
Bruno – É mesmo. Mas o lance é começar, né? Tenho vários amigos que não tem carta de motorista. Porra, o Max [Eluard] tirou no ano passado! O negócio é começar.

Almeida – Vocês estudam seus instrumentos, são CDF?
Amarante – Eu deveria estudar mais, mas ao mesmo tempo… me sinto CDF em outras coisas…
Almeida – Que outras coisas?
Amarante – Ah, outras coisas. [risos]
Bruno – Eu não sou CDF, não. Tenho pouca disciplina pra estudar qualquer coisa. Até hoje tenho pesadelo que tô na escola e que tenho prova. Acordo com o coração batendo rápido! [risos] Porra, aí eu penso “não tenho mais prova na vida, não preciso mais estudar!”. Quero mais isso, não!

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