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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 2/18

É a transformação de uma expressão artística em produto

Max Eluard – Já que vocês estão prestes a se apresentar [ no Via Funchal, em São Paulo ], tenho uma questão… A hora do show é a hora do tesão do músico, de tocar e de mostrar o que vocês fizeram em estúdio. Ao mesmo tempo, é um momento cansativo, ficar na estrada, longe de casa, repetir as músicas. Como vocês fazem para minimizar esse efeito negativo de uma turnê?
Amarante – A gente tenta diminuir o baque, mas tem uma hora que não tem jeito. Como se fosse um circo, ainda mais quando é um show depois do outro. Mas acho que a parte menos cansativa, pelo menos pra mim, e acho que pra eles também, é o de repetir as músicas. A sensação não é de repetir, porque a gente vai mudando as músicas, vai mudando os arranjos. Agora, a vida é essa mesma. A cara de cansado… Não tem o que fazer. Acorda às cinco da manhã, dorme duas horas, vai prum lugar, aí dorme mais três de dia, o que não vale nem meia hora da noite, come comida estranha…

Camelo – O fato de ser um grupo é bom. É que nem escola que você vai todo dia: tem sempre as mesmas pessoas, mas cada dia é diferente do outro. O bom é que varia, tanto entre a gente quanto com a equipe.

Tacioli – Mas mudou algo dos shows do começo da banda, ali de 1998, 99, pra agora?
Amarante – Mudou tudo! A gente mudou, mudou o mundo, mudou a música…

Tacioli – Mas mudou algo daquele tesão de iniciante?
Amarante – Não acho que o tesão do iniciante seja maior do que o do iniciado. Eu hoje tenho mais tesão do que nunca! Tesão é meio feio, né? [risos] Me sinto nervoso falando essa palavra. [risos] Não é tesão, é amor, é “eu te amo”! [risos]
Bruno – Eu acho que tem um aspecto nisso tudo que é a transformação de uma expressão artística em produto. A gente não pode esquecer isso. Por mais que seja divertido, e é e tem que ser porque senão a gente não suporta, mas você gravar um disco é pegar sua arte que tá no ar e transformar num produto pra ser vendido na loja. E o show também tem um formato. Não posso chegar hoje no Via Funchal e tocar, de repente, seis músicas. Não posso fazer isso porque tem um formato, um horário mínimo. Eu estava olhando eles falarem isso e contemplando com esse olhar de contradição, porque a repetição às vezes cansa mesmo. Mas tem uma coisa genuína nisso tudo que é o que move isso, que é fazer música. Aí sai um disco novo e você quer, efetivamente, tocar essas músicas novas, ficar feliz com os desdobramentos. Elas se transformam. E tem a recepção dessas músicas em cada cidade. Enfim, é uma situação cíclica, mas que é um pouco diferente.

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