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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 18/18

Meu primeiro emprego foi fazer camisetas de surf wear

Max Eluard – Rodrigo, e como surgiu essa história de pintura? [n.e. Rodrigo Amarante é autor da pintura que está na capa do CD 4] Já existia?
Amarante – Eu brinco, cara. Eu sou amador. Sempre gostei de pintar. Minha mãe era professora de pintura, estudou Belas Artes, então lá em casa sempre teve tinta. Sempre gostei de desenhar e pintar, mas tudo diversão minha. Nunca fiz nada que fosse profissional. Faço camisetas… Adoro artes plásticas, pintura, mas me senti um profissional quando eles encomendaram.

Almeida – Ah, eles pediram?
Amarante – Foi a primeira coisa que serviu… Deu uma sensação de ser útil. [risos]
Camelo – Agora você imagine se todos os profissionais do mundo fossem que nem esse amador! [risos]
Bruno – Com esse capricho, pensado…
Amarante – Nunca havia feito nada geométrico e nunca havia feito nada que fosse parecido com aquilo. Pensei no 4… A gente conversou sobre cor, porque a gente conversa sobre cor pra se vestir no show, ou fala da cor de um filme. Pude, mais ou menos, fazer a coisa como se estivesse de fora. Foi uma sensação boa!

Almeida – Mas foi a primeira vez?
Amarante – Na verdade, meu primeiro emprego foi fazer camisetas e estampas para uma marca de surf wear de Fortaleza… [risos] Eu vendia os desenhos. Vinte reais o desenho… Coisas jovens… [risos]
Barba – Você não tem esses desenhos, essas camisetas?
Amarante – Não.
Barba – Porra, você tinha que ter uma camiseta dessas! [risos]

Almeida – Mas eu perguntei se a primeira que você fez pro disco já foi a aprovada? Ou teve que fazer várias opções?
Amarante – Eu fiz assim: primeiro pintei o que resultou na capa e depois fui mudando. Parti pruma coisa figurativa e pintei seis troços enormes que ficaram uma merda! Aí voltei pra primeira idéia, porque foi o seguinte: era uma paleta de cores que fiz e tinha uma coisa de azulejo – adoro azulejo, tenho coleção de fotos de azulejos -, enfim, e quando olhei pra aquele lance geométrico achei que tinha tudo a ver com a gente. Um lance meio português, meio árabe… Acho sempre que essa conversa acadêmica, essa de referências, é meio conversa fiada, né, não?

Almeida – Isso de fazer e depois ficar explicando?
Amarante – Do inconsciente e tal… É meio fetiche, né? Mas eu também tenho interesse em fetiche.
Camelo – Quem não tem interesse em fetiche? [risos]
Bruno – Deixa eu só fazer uma colocação. Temos que encerrar no máximo umas oito porque vamos sair daqui umas nove e meia e ainda temos que comer, tomar banho, dar uma descansada…
Amarante – Não é fácil essa vida.

Tacioli – Beleza, gente.
Max Eluard – Vocês tão afim de dar uma descansada, né?
Amarante – Eu tô. [risos]

Max Eluard – Valeu, gente, pela disposição de dar essa entrevista entre passagem de som e show.
Camelo – Valeu vocês!

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