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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 17/18

Tô ouvindo aquele disco do Dorival Caymmi

Tacioli – E o que vocês estão ouvindo? Dá tempo pra ouvir alguma coisa ou quando sobra tempo o negócio é ficar quieto?
Camelo – Não, a gente tem mais coisa pra ouvir do que tempo pra ouvir, mais interesse do que tempo.
Amarante – É.
Camelo – Eu mesmo compro CD e deixo lá no plástico um tempo, porque não dá tempo…
Bruno – Eu também.
Camelo – Ainda mais a gente que recebe várias coisas…
Amarante – Vinil, então, que é mais barato…
Camelo – Tô ouvindo aquele do Dorival Caymmi, Caymmi também é de rancho[n.e. Álbum lançado em 1973 pela gravadora Odeon], que é um disco que ele não gosta. Diz que foi pra cumprir contrato com a gravadora. Aí decidiu gravar as músicas dele em ritmo de marcha-rancho. [risos] É bonitão, mas ele não gosta.

Max Eluard – E por falar em não gostar da própria obra, que avaliação vocês fazem…
Camelo – Ah, uma merda! [risos] Até agora não tem nenhuma que presta…
Amarante – Ainda não conseguimos! [risos] A gente tá tentando, o pessoal tem dado apoio às nossas tentativas… [risos]

Max Eluard – Mas essa insatisfação é real mesmo?
Camelo – Nego fala que Deus dá o dom e o chicote. Nego é um filósofo desses quaisquer… [risos]
Amarante – Meu nego! [risos]
Camelo – Mas é isso mesmo. Acho que a gente se relaciona muito com as coisas que a gente fez e tocar as mesmas músicas todo dia firma muito uma relação nossa com as elas. A gente mexe muito com isso.

Max Eluard – Mas em algum momento essa relação, em vez de levar pra frente, segura, atravanca, atrapalha o andamento?
Amarante – Acho difícil medir.

Max Eluard – Porque você nunca vai ter o outro lado, né?
Amarante – É, pois é. Esse “se” não dá pra saber.

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