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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 14/18

Imagine o Ira!... e a gente de camisa florida cantando “Anna Júlia”

Almeida – Mas já aconteceram encontros informais? Numa outra cidade? Em show?
Bruno – Já aconteceu com o Pato Fu… O Catatau participou desse disco… [n.e.Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, tocou guitarra em “Fez-se mar”, do disco 4] A gente participou de disco da Adriana Calcanhotto [n.e. Tocaram em “A mulher barbada”, do CD Cantada, de 2002], shows com o Moreno, Domenico e Kassin… Vai acontecendo…
Barba – Mas é sempre quando alguém, ou todos da banda, têm um vínculo com a pessoa que convida, ou que é convidada…
Camelo – Precisa haver uma empatia…

Tacioli – Também na época do primeiro disco lembro que vocês abriram o show para o Ira! aqui em São Paulo… [n.e. A recepção paulistana para o grupo carioca não foi nada calorosa]
Bruno – A mesma coisa… Nós tínhamos na época o mesmo empresário e estávamos na mesma gravadora… Eles tavam voltando de um período de ostracismo e a gente começando… Então, colocaram a gente junto, porque talvez na época uma banda só não lotaria o Palace… Mas, imagine, o Ira! com aquela pegada super São Paulo, meio punk, uma coisa tradicional daqui, sons que vocês ouviam quando eram moleques, e a gente de camisa florida cantando “Anna Júlia”… Foi um horror! Mas não tem jeito, só assim mesmo pra aprender…
Camelo – A gente adquiriu cancha diante das câmeras…
Bruno – A gente aprendeu no picadeiro.
Amarante – Porra, que imagem triste… [risos] A gente aprende no picadeiro… [risos] Mas nossa vida é mesmo um circo. A gente vive com uma porra de um saco nas costas, com umas camisas… Tem que sempre estar bem-humorado. Ninguém entende, em nenhum lugar, que você possa estar cansado… “Como tá cansado? Tá fazendo o que gosta, rapá!”
Bruno – “Tu é um babaca!” [risos]
Almeida – Lembro de uma vez, quando eu trabalhava na 89 FM, que vi vocês visivelmente cansados e o pessoal da rádio insistindo pra vocês fazerem um pocket-show. Estavam sem dormir, shows um atrás do outro e, mesmo assim, vocês acabaram tendo que fazer…
Camelo – É, a gente fez. E não fez e comprou briga. Cada caso é um caso porque envolve relações humanas e, às vezes, a pessoa até pede uma coisa idiota, mas é de um jeito tão bacana que não tem saída. Bem coisa de fã que chega com telefone e pede pra você falar com alguém. Tudo depende do jeito que a pessoa pede – pode ser a coisa mais estúpida ou mais simpática do mundo…
Amarante – É. Ontem na FNAC uma menina veio e “Telefone pra você”… rindo…
Bruno – Ainda bem que eu nunca tive que fazer isso. [risos] Não ia ter assunto. Coisa difícil. Mas ontem eu tava lá e tava simpaticão! [risos] Assinando uns 50 CDs, super simpático, e aí me pediram pra tirar uma foto… Porra, hoje em dia todo mundo tem câmera digital. É o problema do mundo, eu acho… Todo mundo quer registrar o momento…
Barba – Celular…
Amarante – Vai na padaria e tem uma câmera…
Bruno – É um inferno isso! Aí eu fui tirar uma foto e a menina… “Ah, mas dá um sorriso!” [risos] Ah, mas vai me convencer a rir? Mas eu ri porque achei engraçado, mas não queria porque fiquei irritado, fiquei puto! [risos] Me senti um koala! [risos] Muito ruim isso. O Marcelo até ficou com pena de mim…
Camelo – Falei… “O Bruno é legal!” [risos]

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