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Entrevistas de música brasileira

Los Hermanos

Los Hermanos. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Los Hermanos

parte 11/18

A gente é como a Holanda de 1974

Tacioli – E projetos individuais?
Amarante – Eu queria ter uma companhia de dança… [risos]
Camelo – Tem várias coisas, mas é difícil arcar com compromissos, mas também é bom demais ter isso da banda.
Bruno – É muito amplo. Parece apenas uma banda, mas é uma empresa com todos os detalhes. Vai desde a escolha da estampa da camisa que vai ser vendida no show até negociação do clipe…

Max Eluard – Vocês cuidam de todos esses detalhes? De todos os produtos que saem da banda?
Bruno – É. Às vezes é um inferno…

Almeida – Mas vocês se dividem em gerentes…
Bruno – Assim não, mas existem interesses específicos que acabam levando…
Camelo – É a democracia da vontade.
Bruno – Gostei! [risos] Por exemplo, eu lido mais com o site porque causa da minha relação com a Internet. Então, sou mais crítico com o site. Assim vai…

Almeida – Em relação a releases e textos…
Amarante – O Bruno é o nosso biógrafo.
Barba – A regra é clara!
Bruno – A gente é como a Holanda de 1974.
Camelo – O carrossel.
Bruno – Ninguém tem função fixa. [n.e. A antológica seleção holandesa de futebol, de Cruyf e Neskeens, que, na Copa da Alemanha de 1974, apresentou um esquema tático em que os jogadores não tinham uma posição definida. Esse esquema ficou conhecido como Carrossel Holandês]

Max Eluard – Vocês pensam a longo prazo ou é algo como fazer o disco, depois os shows e depois pensa no que vier pela frente?
Bruno – É difícil pensar a longo prazo. É frustrante até. Estabelecer metas…
Amarante – O que a gente faz é em função ao que a gente não sabe direito… que é o que a gente vai ser, o que a gente é… É muito legal a sensação, quando a gente tá no sítio, de ver o ponteiro da hora girando… A gente sente que virou uma outra hora, mas é somente porque a gente tá retratando aquilo, entendeu? Cara, a gente só descobre o que tá fazendo, fazendo. Não é da boca pra fora.
Bruno – Acontece muito isso. Depois de um tempo,“Nossa! Eu fiz isso porque tava ouvindo tal disco na época!”, mas na hora não se percebe. É legal isso.
Amarante – Ou descobrir umas coerências que pintam, anos depois.
Camelo – “Nossa, essa música é igual àquela outra!”

Almeida – Isso acontece?
Camelo – Acontece, mas deixa pra lá! [risos]

Almeida – Mas, Rodrigo, você tem mesmo uma relação com dança ou foi uma piada?
Amarante – Eu tenho. Quer dizer, é meio piada, meio sério. Tipo eu! [risos]

Max Eluard – Mas você disse que era um cara sério…
Amarante – É que minha irmã também dança muito bem…
Barba – … “Também dança muito bem” é ótimo! [risos]
Amarante – Já viu ela dançando, cara?

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