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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 7/18

Vendi muito disco nas três Américas, em Portugal e na Espanha

Monteiro – Na carreira artística muita gente se perde nesses primeiros caminhos. E você estava contando de seu espanto quando a orquestra começou a tocar. Você acha que isso mexe com a cabeça do estreante, “Puxa, essa orquestra vai me acompanhar!”?
Lindomar – Flávio, mexe com a cabeça, mas não pensando que vai ou não ser sucesso, porque o negócio da música em si é algo divino, é um negócio trans-cen-den-tal. Toda a arte é um fato que nos aproxima do nosso Criador. Sobre aqueles acordes eu não me recordo de ter pensado em termos de sucesso, porque o acorde era tão maior, tão grandioso, tão maravilhoso, que não daria tempo de uma cabeça inexperiente, mas de uma pessoa aficionada à música, pensar em comércio. Possivelmente o diretor de vendas, o João Leite, ao ouvir uns acordes daqueles, “Opa, ali pode dar certo!” [risos] Não foi o meu caso, não!
Max Eluard – Para você, santa-helenense, com a música no sangue, cantar era uma coisa muito natural. Mas quando você começou a vender 400, 500 mil cópias, como foi esse sucesso, essa fase?
Lindomar – Santa-helenense de Rio Verde! Pois é, e isso aqui no Brasil! Porque lançava-se, como acredito que lançam os sucessos do pessoal de primeira linha, como o Roberto Carlos – essa maravilha que Cachoeiro nos ofereceu! – e o Zezé Di Camargo & Luciano, por todo o mundo, nas mais diversas línguas. Começava-se a fazer isso naquela época, pelo menos entendia que sim. Fui lançado para o mercado latino, ora em português para os países de fala portuguesa como nossa pátria-mãe Potugal, ora em espanhol para os países latino-americanos. E tem gente que não é brincadeira, bicho! Vendemos muito disco nas três Américas, em parte da Europa (Portugal e Espanha) e fizemos uma experiência em italiano, que não deu certo, mas a experiência foi feita.
Max Eluard – E como se manifestou essa grandiosidade toda?
Lindomar – Não acredito que o Zezé Di Camargo pensasse que viria a ser o cantor, o autor capaz de fazer o Julio Iglesias ainda em seu auge, e outros tantos cantores, gravar suas músicas pelo mundo afora. Naquela época, apareceu um sucesso em inglês de um menino nosso. Aqui ele participou de um festival, e a música se tornou um dos maiores sucessos do mundo, meu Deus do céu…
Monteiro – Morris Albert.
Lindomar – Isso.
Tacioli – Com “Feelings”.
Lindomar – “Feelings”. O Morris era cabeleireiro ali no centrão, era nosso amigo, lutador. De repente, a música veio de lá para cá, ganhou o festival, e de Frank Sinatra para cima e para baixo foi todo mundo. Pô, não é brincadeira, um negócio incrível! E lá fora os direitos autorais são mais direitos que os nossos. O cara ficou rico de repente. Através de uma música, um turbilhão de riqueza aconteceu na vida dele.

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