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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 6/18

Roberto Carlos me disse: "Seu bolerão está em primeiro lugar no México"

Max Eluard – Hoje em dia fala-se muito da pressão que as gravadoras exercem sobre os artistas populares que vendem muitos discos. Mas você, na década de 70, chegou a 500 mil cópias de um único álbum. Como era essa época?
Lindomar – 400 mil e depois 500, mas tive mais de um álbum que vendeu mais de 500 mil cópias.
Max Eluard – Existia essa pressão? Como era lidar com as gravadoras? Havia liberdade?
Lindomar – Veja bem: tive a sorte de entrar numa gravadora de muito crédito, com um dos maiores, senão o maior descobridor de talentos da época, o Palmeira, que descobriu o Poly, Nilton César, Carmen Silva, Petrônio, Os Incríveis e um monte de gente. Ele punha o dedo, virava ouro! E na parte sertaneja então… Ele foi o primeiro a gravar com a orquestra do Municipal, no próprio Municipal. Foi um negócio espetacular, sabe?! Então tive muita sorte em começar numa Continental dirigida pelo Palmeira, com o João Leite como diretor de vendas. E também com o Alfredo Corletto – que é vivo, e que depois da morte do Palmeira se transferiu para a RCA, levando uma turma muito grande, da qual eu fazia parte – e o Alfredo Lessa, os criadores da divulgação de discos no Brasil. Fiz 12 LPs na Continental. Lá eu tive um dos meus maiores sucessos, “Ébrio de amor”. Foi o meu primeiro sucesso fora do Brasil. Uma vez ao receber o Roberto Carlos em Goiânia, junto com Arthur Rezende – nosso empresário atual, cronista social e amigo pessoal do Roberto –, ele me trouxe uma notícia espetacular. “Olha, estou chegando do México e seu bolerão está em primeiro lugar! O Marcos Lázaro deve te levar lá!” E realmente me levou.
Max Eluard – Então era tranqüila sua relação com a gravadora. Não existia uma pressão para você fazer mais sucesso ou para gravar determinadas músicas?
Lindomar – A gente tinha que trabalhar dia e noite. O trabalho do artista era mais acentuado. Hoje é mais acentuado o trabalho da gravadora, porque ela faz dirigido, faz um negócio comercial, ela compra o espaço e manda ver.
Max Eluard – Antes o que ganhava o ouvinte era o talento do artista. Hoje é um trabalho de mídia da gravadora.
Lindomar – Exatamente, um trabalho de mídia, faz-se um marketing e ali se desenvolve o trabalho do artista. Não sou especialista nisso, não, mas é por aí.
Almeida – Mas não existia alguma indicação da gravadora ou algum tipo de veto?
Lindomar – Na época do Palmeira, a gente levava um punhado de música. “Olha, tenho mais essas aqui!”, ouvia as nossas, escolhia e era isso aí. Depois fomos para a RCA e o Corletto era o diretor artístico. Ele seguia os mesmos caminhos do Palmeira, com quem trabalhou por muito tempo – ele era diretor de promoção na Continental quando o Palmeira era o diretor artístico. Depois ele nos levou para a RCA.
Almeida – Isso foi em que ano?
Lindomar – 69, salvo engano. Aí veio o senhor Adail Lessa, outro grande homem da promoção, da divulgação, que se chamava Departamento de Divulgação. Depois é que se criou – me lembro bem – a Promoção, os promotores de divulgação, e que hoje é o marketing da gravadora. Substituindo-o veio o Osmar Zan, que está aí na ativa e é filho do sanfoneiro Mário Zan. E com o Osmar e o produtor da minha área fizemos uns 15 discos pela RCA, hoje BMG. Pelo que estou sabendo, a BMG tem explorado muito bem a turma da minha época.

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