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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 18/18

Pretendo lançar um disco de músicas inéditas

Monteiro – Você tem músicas inéditas?
Lindomar – Pois é, nesse disco ao vivo foi tudo regravação. Agora a gente pretende fazer um de música inédita para tentar, quem sabe, um sucesso.
Monteiro – Já tem alguma coisa?
Lindomar – Já, várias coisas. Sou muito ruim, não decoro fácil. Acho que os meus neurônios foram torrados. [risos] Eu teria que estar com o meu caderno aqui, mas tem umas músicas interessantes dentro da minha praia, dentro do que eu vinha fazendo antes quando eu fazia sucesso. Não sei se estou caminhando certo. Vou falar agora com gente especializada.
Tacioli – Então você vai manter a mesma linha que…
Lindomar – A linha que eu criei, que sempre tive. Por acaso, nesse tempo todo em que eu estive afastado, não apareceu ninguém na minha praia. Tanto é que os meus discos sempre tiveram meio sozinhos por aí. Deve ser em função disso.
Tacioli – Mas Lindomar, como esse período turbulento pelo qual você passou interfere na sua atual forma de composição? O que muda?
Lindomar – Olha, para compor a música popular, pelo menos do jeito como eu a entendo, não existe uma regra. Cada um compõe da sua forma, do seu jeito. De um tema ou de um papo nosso, como já falamos, pode sair um tema. De um fato pode ser descrito um outro, como foi com “Você é doida demais”. Gravei um disco que, por certo desafortunadamente, há de ser um disco antológico, já que o gravei dentro da penitenciária. Foi composto na Casa de Detenção, em São Paulo, no final do meu cumprimento, e as outras músicas terminadas no CEPAEGO, que é o Centro Penitenciário do Estado de Goiás, para onde fui. Lá, numa cela improvisada, foi montado um estúdio onde gravei o disco Muralhas da solidão. O saudoso Bolinha Cury achou que a música era boa e pediu para que a Copacabana fizesse um clipe. Ele queria executar a música no programa dele. E esse clipe foi feito aqui na Casa de Detenção, já que era mais fácil para a turma filmar. Depois se deslocaram para Goiânia e completaram as filmagens comigo. Nessa música falo sobre uma carta que recebi da minha mãe, entre as tantas que ela me escrevia diariamente. Uma música muito forte e que o Bolinha pôs no ar. Teve gente que não gostou. As feministas não gostaram, e ele encrencou com elas, pelo que me consta. Eu não assistia televisão, mas me disseram. “Aqui quem manda sou eu. Quem vai tocar sou eu!” Quanto mais diziam para ele não tocar, aí é que ele tocava, porque o povão estava pedindo para que ele tocasse. Essa música foi um sucesso graças ao Bolinha, a minha homenagem, a nossa saudade daquele cara tão bacana, como foi o Chacrinha, para todos nós, artistas da época. Está aí uma prova que a força do povo é muito grande, a voz do povo é a voz de Deus, já diz o dito popular. Para essa música eu tive que me preparar, porque eu não dava conta de cantá-la. Todas as vezes que vou a um show tenho que cantá-la, porque tem sempre alguém que pede. Hoje já resolvi fazer um quadro dentro do meu show chamado “Momento sublime”, em que homenageio as mães presentes, e por que não, as ausentes. E aí, rapaz, é uma choradeira que não é brincadeira, porque o negócio é sério. Tanto é que depois disso tenho que pôr uma música mais “movida” para a turma pular, dançar.
Max Eluard – Lindomar, nós estamos encerrando.
Lindomar – Gostaria de agradecer a oportunidade e deixar o seguinte recado: se um dia você pensar em fazer alguma besteira, não conte até dez ou vinte, mas sim até 100, mil, 100 mil, um milhão, vá à praia e conte os grãos de areia. Não vale a pena. É isso. Muito obrigado.

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