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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 17/18

Morre a mãe do palhaço e ele vai ao circo fazer sua parte

Monteiro – Como surgiu esse disco pela Sony?
Lindomar – O diretor da Sony, o Miguel Plopsch, soube que eu estava fazendo showzinhos pelo Sul, pelo Nordeste, pelo Centro-Oeste, e me chamou para bater um papo no Rio de Janeiro. Ele tinha uma proposta. O Miguel foi meu diretor na RCA quando fui preso. Na época eu estava com a “Santa Maria”, que foi um sucesso, e eu ainda devia dois discos para a gravadora. E eles não abriram mão. Falaram com o doutor Valdir e, enquanto eu estava respondendo em liberdade, gravamos os discos. Naquela época tive um contato maior com o Miguel. A gente se conhecia, ele liderava uma banda, e depois se tornou diretor da gravadora. Em síntese, gravei os dois LPs que, aliás, foram lançados. O Miguel sabia o que eu vendia, “Santa Maria” estava lá e os dois discos que deixei não foram mal.
Almeida – E tinha clima, Lindomar?
Lindomar – Rapaz, o artista… Morre a filha e a mãe, o palhaço vai lá no circo e faz a parte dele. E a parte dele é fazer graça. Aí é duro, mas é a sua arte.
Tacioli – Mas como é que surgiu esse disco ao vivo?
Lindomar – Como ele ficou sabendo que eu estava fazendo um showzinho pelo interior, mandou a turma me caçar. Localizaram-me em Santa Catarina e fui ao Rio de Janeiro. Tinha uma coletânea da BMG, nesse momento concorrente dele, que estava vendendo para danar, com “Você é doida demais” e aqueles meus originais. “Escuta, você quer fazer essa coletânea ao vivo?” “Poxa, vamos fazer, sim!” O Reginaldo Rossi estava estouradão. “E vamos melhorar essa seleção da BMG. Vamos colocar uma popular mesmo!” E assim foi feito. Gravamos no Teatro Goiânia, que nos foi cedido gentilmente pelo hoje Diretor de Cultura do nosso Estado. Deixa eu ler o nome dele, porque se chamá-lo de turco, ele fica bravo. [risos] Nars Chaub, uma pessoa realmente muito importante em nosso Estado, não só em função desse disco, que foi no começo da gestão dele, mas por que ele continua com um trabalho muito grande no Estado. Mas quando comecei a realizar essa gravação, desafortunadamente, caiu toda a direção da Sony. Isso foi ruim demais para o lançamento desse disco, porque mudou tudo.
Monteiro – Esse não é o primeiro seu primeiro disco ao vivo, é?
Lindomar – É. Na verdade, foi também o meu primeiro CD e o primeiro no formato ao vivo.
Monteiro – É verdade, antes disso você só havia lançado, originalmente, em vinil.
Lindomar – Antes era tudo em vinil. A RGE lançou um CD, mas havia saído em vinil. Um disco bom, até! Bom, nós combinamos que o disco seria ao vivo mesmo, porque estavam fazendo muitos ao vivo de estúdio, que fazem até hoje por aí. E foi isso que fizemos, realmente. Tem as nuances de semitonações, muito natural, principalmente para quem estava fora como eu, né? Realizamos dois shows e foram escolhidas as melhores gravações, naturalmente. Hoje estou preparando um outro lançamento.

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