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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 11/18

Na época do desastre eu estava lançando "Santa Maria do Brasil"

Max Eluard – E como sua carreira estava no final dos anos 70 e começo dos 80?
Lindomar – Estava bem. Anualmente, eu ia a todas as Américas, pelo menos nos principais países. Com certeza na Argentina, México, Estados Unidos e na Venezuela, na época um poderio por causa do petrodólar. Pagavam bem pra danar! E também na França, Portugal e em alguns lugares da África. Em Luanda, Angola, existe um busto meu, com cavanhaque e tudo. [risos]
Max Eluard – Honras de estadista!
Lindomar – Exato. Tenho uma réplica em madeira que o artista que fez me deu. Eu estava embarcando para lá quando eclodiu essa guerra que continua até hoje. Já acabou a guerra e eles continuam guerreando. O negócio na Angola é bravo demais. Estive lá no ano passado, retrasado, Nossa Senhora, como é que pode?!
Max Eluard – Em que momento da sua vida aconteceu aquela tragédia?
Lindomar – Foi um momento que não gosto de me lembrar, que não desejo a ninguém. Um momento que não tenho registro. Pessoas que se dizem entendidas em termos de neurologia já me explicaram. Disseram que existe um afastamento de um determinado nervo de outro, e o cara fica, “pluft”, fora do ar. Nem na época da minha defesa consegui me lembrar. Hoje faço questão de não me lembrar.
Max Eluard – E o que acontecia em torno da sua vida? Não daquele momento específico, mas em que contexto sua vida estava?
Lindomar – Ué, eu vinha trabalhando, estava lançando uma música que veio a ser um dos meus grandes sucessos, “Santa Maria do Brasil”. Estávamos lançando um compacto simples como se faz hoje um single. Então naquela época haviam feito um simples, mas com a mesma música dos dois lados. Um disco promocional. Estávamos trabalhando a música e o lançamento do LP, quando me aconteceu o desastre. E aí foi uma hecatombe total na minha vida. “Santa Maria do Brasil” estava em primeiro lugar e desapareceu da parada porque eu estava fora.

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