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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

parte 9/18

Ué, conheço essa voz?!

Almeida – Lindomar, quero voltar um pouquinho. Quando você retornou à sua cidade, todo mundo disse “Pô, cadê o disco?!” Como foi isso?
Lindomar – Voltei, e como esse tal disco não aparecia, comecei a cair fora da turma, porque eu não sabia explicar. Perguntava para o meu padrinho artístico (Bariani Ortêncio), “Escuta, e o disco?!” “Vou passar um telegrama!” [risos] Era na base do telegrama.
Almeida – E dois dias para a resposta chegar.
Lindomar – Dois ou três, quando passavam logo. Em síntese, uma vez eu estava entregando um expediente da Secretaria de Segurança e passava em frente a um bar. Tinha uma roda em cima de um radinho. E o radinho a toda. “Ué, conheço essa voz?!” [risos] Fora de brincadeira, lembro do bar até hoje. Esse bar virou uma loja e ficava na avenida Anhanguera, nossa principal avenida. O vendedor levou uma amostra do disco para vender ao Waldomiro. Esse disco também foi para uma emissora de rádio da época, uma das principais, chamada Rádio Brasil Central. E o pessoal estava tocando o disco inteiro num programa da tarde. Daí encostei na turma e fiquei ouvindo. “Pô, companheiro, me dá uma Chora Rita!” [risos] Eu estava todo arrepiado! E os caras comentando “Esse é um cantor novo”. Porra, bicho, foi um negócio ouvir o disco no radinho do bar!”Meu Deus do céu, olha o disco aí!” Caí fora e voltei para o serviço, “Vocês me dão licença, parece que o meu disco chegou”. Fui para o Bazar Paulistinha ver o que estava acontecendo, já que eu havia ouvido umas três faixas no rádio. “Não, rapaz, o disco está lá na Rádio Brasil Central. Você até podia ir lá!” Fiquei esperando, porque o disco ia voltar, mas só tinha um, que iria ficar com o revendedor, o meu padrinho. É por isso que eu falei para evitarmos o Estadão, porque não é brincadeira esse negócio de bar. [risos] Sou super a favor, mas já passei da conta.

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