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Entrevistas de música brasileira

Lindomar Castilho

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Lindomar Castilho

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Acordes de mais um bolero

Depois de alguns telefonemas, finalmente a entrevista estava confirmada. Lindomar Castilho sairia de Goiás para apresentar seu novo trabalho a algumas gravadoras em São Paulo e na primeira oportunidade conversaria com o Gafieiras.

Como de praxe, pedimos para o entrevistado sugerir o local da entrevista. Nada. Tentamos, então, descolar um lugar que retratasse um pouco o universo em que Lindomar Castilho reinou absoluto nos anos 1970 como o Rei do Bolero. Mas, onde?! Lógico, lanchonete Estadão, estabelecimento 24 horas, dono do melhor lanche de pernil da cidade e tradicional ponto da boêmia paulistana.

Na hora combinada, Lindomar chega, cumprimenta a todos e avisa, gentilmente, “Não pode ser aqui!” Mais rápido que o nosso espanto, o autor de “Você é doida demais” (com Ronaldo Adriano) apresentou a solução perfeita: “Vamos para a casa da Lola, minha amiga!”. Longe, mas tudo estava resolvido. Peguei meu violão e embarquei no automóvel da anfitriã.

Ouvir Lindomar me remete aos bons momentos da infância lá em Itapetininga, interior de São Paulo. No fogão à lenha, minha mãe preparando pratos especiais e saborosos e, no rádio, As Campeãs do Programa Barros “meninas segurem-se nas cadeiras” de Alencar. Quem era o primeiro lugar? Lindomar Castilho, é claro, soltando a voz que, como a fumaça do velho fogão, invadia todos os espaços e se perdia no infinito. Assim foi durante toda a década de 1970.

Quis o destino que depois de tanto tempo eu estivesse ali, cara a cara com o discípulo de Vicente Celestino. Confesso que esperava encontrar um senhor alquebrado, triste e magoado pelas peças que a vida lhe pregou – matou em 1981 sua ex-esposa, Eliane de Grammont –, mas à medida que a conversa foi fluindo, emergiu dali um homem forte, articulado e inteligente, que aprendeu e amadureceu com as reviravoltas que testemunhou e protagonizou.

Com esta entrevista, trouxemos à tona uma das mais emocionantes histórias da música brasileira, que daria uma película tão dramática como seus boleros, e viajamos ao passado, no tempo em que cantar era divino, era buscar a redenção. Com vocês, Lindomar Castilho.

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