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Entrevistas de música brasileira

Lenine

Lenine. Foto: Jefferson Dias/Gafieiras

Lenine

parte 13/16

O violão é o timão da história

Tacioli – Um pouquinho antes dessa pergunta, quando você tem um produto para apresentar, este é o momento de…
Lenine – De falar…
Tacioli – De falar! Mas como você se vê na história da música brasileira?
Lenine – Como eu vejo?
Tacioli – Você se vê um…
Lenine – Eu sou míope, visse. [risos]
Tacioli – Mas até os deficientes visuais veem também, né?
Lenine – É verdade, mas veem um borrão. [risos] É sem definição.
Tacioli – Mas, dentro dessa linha da música brasileira, não linha evolutiva, mas dentro desse caminho da música, que é muito diverso, onde você se coloca assim?
Lenine – Pô, meu, sacanagem, isso é sacanagem…
Tacioli – Não, porque isso…
Lenine – Não, eu sei, mas é uma tentativa maluca… Eu não sei. Eu posso dizer o seguinte: primeiro, eu faço parte de uma linha evolutiva do violão brasileiro, sim.
Tacioli – Aí, já está definindo.
Lenine – Eu percebo. Por quê? Porque está associado a muitos desses cantautores que a gente está falando, a expressão através do instrumento violão. Isso parece que veio do árabe, do alaúde, tal, mas aqui requisitou a cidadania, todo mundo toca violão. É o instrumento da expressão brasileira. E são muitos os que têm no violão uma extensão do corpo. De Mão de Vaca, Dilermando Reis, Canhoto da Paraíba, aí você vem aqui, pega Djavan, João Bosco… Egberto Gismonti, Baden Powel… Tem uma linha evolutiva, não tô me botando no meio deles, só estou dizendo que eu, assim como eles, tenho no violão o meu instrumento de expressão. É cheio de suingue, que é outra marca do violão brasileiro. Jorge Ben, meu irmão, foi quem primeiro formatou uma música brasileira pro mundo, desculpem os outros, mas pra mim foi Jorge Ben. E de Jorge Ben até cá, ninguém chegou perto. Eu tenho no meu DNA isso aí, tenho.
Tacioli – Já se posicionou…
Lenine – Consegui, eu achei que ia ser mais difícil porque parecia “Como você se acha, como você se vê?”. Não, pelo que é, o violão é o timão da história, é quem guia. E, sim, aí tem uma linha evolutiva clara na história da música brasileira. E isso o mundo já percebe. Com certeza, o mundo percebe, é evidente esse olhar diferente que nós temos agora. Não é só mais festa, bunda e batuque, não, gente, mudou.

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