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Entrevistas de música brasileira

Lenine

Lenine. Foto: Jefferson Dias/Gafieiras

Lenine

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O homem das coleções

Ele tinha o hábito de colecionar, de compilar objetos. Tudo com seriedade de investigador. Também colecionou revezes. A maioria quando assumiu a vida artística no Rio de Janeiro na década de 1970. Coleção que começou a se desfazer depois de lançar seu segundo disco de carreira, Olho de peixe, em 1993, com o percussionista carioca Marcos Suzano. O álbum lhe garantiu cartaz, shows dentro e fora do Brasil e recarregou suas baterias. Mas para chegar até aí suou a camisa: dividiu moradia com “pessoas que também estavam procurando se expressar”, como o parceiro Bráulio Tavares, participou de um festival da TV Globo (MPB 81), integrou uma banda pop juvenil, atuou e roteirizou episódios d’Os Trapalhões e estreou em disco com o amigo conterrâneo Lula Queiroga no longíquo 1983: Baque solto, hoje item de colecionador.

Recifense nascido em fevereiro de 1959, Oswaldo Lenine Macedo Pimentel é baterista de origem, fã de quadrinhos e de ficção científica. Vocalista de suas criações, fez de seu violão um instrumento percussivo e de primeiro plano. Sua música urbana e litorânea condensa rock setentista, mpb e brisas do funk clássico, do baião e do hip hop. Led Zeppelin, Stevie Wonder, Miles Davis, Clube da Esquina, King Crimson, Jackson do Pandeiro. Algumas de suas referências. Esse estilo híbrido começou a ganhar corpo, espaço e fãs no citado início dos anos 1990. Os álbuns posteriores – O dia em que faremos contato (1997), Na pressão (1999) e Falange canibal (2002) – garantiram a visibilidade e o crédito que qualquer artista busca. Acumulou prêmios, shows internacionais, fez trilhas para novelas e espetáculos de dança e lançou outros discos.

A entrevista a seguir tem quase duas horas. Foi realizada em agosto de 2012 no Espaço da Revista Cult, em Pinheiros, São Paulo. Era tarde de segunda-feira. Lenine estava em meio à turnê de divulgação de seu álbum Chão (2011). De praxe, a entrevista não se fixou na novidade já tão exposta naquele período; procurou outros temas que rondam o músico. De todos, nenhum estranho ao seu paladar: infância, socialismo paterno, processo de criação, relação com o tempo e paixões subterrâneas à música. Uma delas é a sua conhecida atração pela cultura de orquídeas. E como uma coisa puxa a outra, foi esta que revelou seu lado colecionador. Para Lenine, o ato de colecionar é arterial, atravessa todas suas manufaturas. Assim, não é para causar estranhamento as primeiras partes da entrevista. Ali estão outras de suas pegadas.

Para compor a equipe foram convidados Edson Natale, músico, produtor e gestor cultural, Giovanni Cirino, músico e professor, além do fotógrafo Jefferson Dias e de Manoela Ziggiatti, responsável pelo registro audiovisual. Do outro lado, completaram a lista a assessora de imprensa Adriana Rielo, o empresário KK Mamoni e Anna Barroso, esposa de Lenine.

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