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Entrevistas de música brasileira

Itamar Assumpção

Itamar Assumpção por Marcos Penteado em 1990/CEDOC FPA

Itamar Assumpção

parte 1/4

Na casa da Alzira

Faz um tempo. Cinco anos. Estava terminando o curso de Ciências Sociais na USP, era o 1º semestre de 1998, e editava com um grupo de amigos uma revista chamada A Nível D. Era o número 2 e o tema, Brasilidade. Pra falar disso, sem pegadas acadêmicas, utilizamos ficção, fotografia, ilustrações, poemas, crônicas e uma entrevista. Difícil lembrar o porquê do Itamar ter sido o escolhido para ser entrevistado por nós. Talvez eu tenha sugerido por ser fã e achar que tinha muito a ver. Talvez a Daniela Pinheiro, a Dani Morena, tenha conseguido e eu achei bom demais. Provavelmente os dois. Ou alguma outra coisa.

Só sei que chegamos, apenas nós dois, no local marcado em Pinheiros pela manhã. Era numa vila e a casa era de Alzira Espíndola (parceira e amiga de Itamar). Ele estava passando lá uns tempos porque o estúdio onde estava gravando, ou mixando, o Pretobrás era perto e não precisava ficar indo e voltando para a Penha todo santo dia. Faz tempo.

E o medo? Nunca tinha entrevistado ninguém e o Itamar parecia assunto complicado demais para os meus ouvidos universitários, apesar de conhecer toda sua discografia até então e de já ter visto um show sensacional, só voz e violão, no Café Piu Piu. Não sabia o que perguntar e não quis empunhar minha pobre câmera pequena e automática por vergonha. Daniela não quis nem saber. Pegou a câmera e foi perguntando. Ficamos lá umas duas horas e não perguntamos muito. Ele ia falando e lembrando, ressentido e ativo. Ouvimos.

Parecia um cara difícil no trato, mais pelos perrengues de ser um “maldito” do que por de fato sê-lo. Continuei ouvindo e continuo. Queria ouvir mais. Quis muito ser amigo dele. Sei que, pelo menos, seus discos continuarão sendo meus amigos. Bom que essas coisas são para sempre. [DAFNE SAMPAIO]

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Vanguarda paulista
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