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Entrevistas de música brasileira

Itamar Assumpção

Itamar Assumpção por Marcos Penteado em 1990/CEDOC FPA

Itamar Assumpção

parte 0/4

Com quantos nãos se faz um som

A notícia tocou mais que sua música e correu rápida. Itamar havia morrido.

Talvez já estivesse cansado. A gente nunca sabe. Hospitais, remédios e médicos cansam qualquer um. Mas o discurso articulado, cheio de braços e artérias, seguia contundente. Chicoteava o pop, as gravadoras, os vizinhos intolerantes e as rádios monogâmicas. O vigor criativo e a artilharia verbal o distinguiam de seus pares, novos e veteranos.

Três semanas depois, o Gafieiras publica duas entrevistas que não estavam nos planos. Nos originais, pelo menos. Uma data de 1998, originalmente revelada na revista universitária A Nível D. Ali, o nosso destemido e angular fotógrafo ainda portava uma 35 milímetros, automática. A outra foi realizada em 2001, quando o grupo que formaria o Gafieiras articulava o making of do disco Show (Som Livre), de Ná Ozzetti. Conversar com parceiros e amigos da ex-Rumo, essas coisas. E Itamar estava no caminho. Max Eluard e Rogério Trentini foram até sua casa, onde falaram de futebol, música e de quase tudo que nos cerca. E de Ná Ozzetti.

Agora, sem Itamar, resta-nos redescobri-lo. Não pelo compromisso moral ou pelo culto aos símbolos que estão fora do mercado. Resta-nos redescobri-lo como uma interrogativa, como a necessidade de se questionar, principalmente os ídolos. Daí nascem o artista e o caminho que se deve seguir.

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