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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 8/24

A Jovem Guarda acabou com tudo? Nada! O público fiel continuou

Max – Quando estourou o rock’n’roll e o iê-iê-iê vocês eram novas, adolescentes. Vocês se interessaram por esses gêneros?
Mary – Olha, não é porque nós somos da música sertaneja que a gente não acompanhou. Nós sempre ouvimos tudo. Elis Regina foi nosso ídolo, mas na época da Jovem Guarda só não ficamos gritando “Lindo!” porque já éramos artistas. Mas que dava vontade, dava. Roberto Carlos, Erasmo Carlos… Era uma festa pra nós. Então, acompanhamos tudo isso. Mas o legal é que mesmo nessa época de rock forte… A Jovem Guarda acabou com tudo? Acabou com nada! O público fiel continuou, nós nunca paramos…
Max – Mas vocês chegaram a cantar músicas da Jovem Guarda?
Mary – Cantamos.
Marilene – No show a gente cantava.
Mary – No show fazíamos um desafio entre a viola e o iê-iê-iê.
Almeida – Como era?
Mary – No desafio, ela (Marilene) defendia a viola e eu era a bonitinha, cabelinho compridinho, olho azul, que defendia o iê-iê-iê. Não lembramos mais dos versos, mas aí botávamos a platéia, metade pra lá, metade pra cá. A gente usava essas coisas pra trazer os jovens para o nosso espetáculo.
Almeida – Vocês sempre tiveram domínio de como iria ser o show? Ou isso ficava nas mãos do produtor?
Mary – Nós sempre tivemos, sempre cuidamos. Mas de uns 20, 22 anos pra cá, o Mário (Campanha) entrou na nossa vida. Aí o Mário virou nosso orientador, nosso guru…
Marilene  Nosso marido. [risos]
Mary – E eu tenho que escutar isso! [risos]
Marilene – Mas na hora de dormir é somente com ela. [risos]
Mary – Ainda bem! [risos]
Marilene – Na hora de dormir somente, porque quando acordado, está comigo! [risos]
Bara – Ah, essa besteira é nova. [risos]
Tacioli – Mas qual era o papel do pai de vocês? Ele participava da escolha do repertório?
Mary – Participava. Quando pequenas, ele trazia as músicas e a gente saía cantando.
Marilene – E a cada disco que saía a gente tinha que cantar a música que estava sendo executada com o trabalho.
Mary – Mas tudo era feito de comum acordo. Pra gravar…
Marilene – Nós sempre decidimos assim: temos um repertório pronto para o show, mas se chega lá e a primeira música não tem a reação que esperávamos, nós mudamos. Hoje, por exemplo, o Mário faz isso. Porque o nosso show é assim, bem pra cima. O público participa. Se, de repente, uma música não dá aquela reação, a gente muda a ordem.
Mary – E pra gravar, os compositores chegavam e a gente ouvia. Papai ficava sempre por trás, balançado a cabeça. Aí parava pra analisar e ver qual música a gente se sentia melhor. Paramos de cantar “La ultima noche”. [risos]

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