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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 7/24

Só a mídia não viu Tião Carreiro & Pardinho

Tacioli – Mas vocês, como nós, assistiram ao surgimento desses novos artistas jovens da música sertaneja, como Sandy & Junior. Vocês chegaram a se ver nesses artistas mirins?
Mary – Existe muita identidade, principalmente em Sandy & Junior. Nós fomos amigas dos avós deles, o Zé do Rancho e a Mariazinha. Gente, eles eram artistas que vocês não fazem idéia. Quando eles entravam no palco… Quando fazíamos shows juntos, a gente pedia pra nos botar primeiro. [risos] Sabe aquela coisa de… Porque a Mariazinha era de arrasar. Arrasar mesmo!
Marilene – Tudo o que a Sandy faz agora é o que a avó fazia.
Mary – E era tão bonita quanto a Sandy. Então, quando vimos Sandy & Junior… Eu até hoje choro, né? Nós acompanhamos toda essa trajetória, dos avós, dos pais e agora dos filhos.
Marilene – Mas você sabe que nós, na idade em que estão a Sandy e o Junior, talvez nós não… É aquela coisa de não ter tempo pra pensar, mesmo porque na nossa época não existia a mídia [risos] e tudo o que fizemos foi com muito sacrifício. Então não existia…
Mary – … esse assédio do fãs.
Almeida – E nem essa estrutura que eles possuem?
Max – A malícia do negócio…
Mary – Não, não existia. Era natural, quase que um amador. Só era profissional porque já se fazia show, ganhava dinheiro e gravava discos. Mas ninguém tinha… Você imagina um Cascatinha & Inhana atravessar o Brasil e pouca gente saber a história deles! Tião Carreiro & Pardinho? Eles eram mitos e são endeusados até hoje. Eles foram uma grande escola, até no modo de colocar o chapéu. Só a mídia não viu isso.
Tacioli – E muita coisa se perde nisso?
Mary – Muita.
Tacioli – Vocês falaram das Irmãs Castro. Elas foram uma referência pra vocês?
Marilene – Foram, foram uma referência.
Mary – É, e as pessoas não sabem.
Marilene – Mas hoje a gente vai em show no interior e encontra com duplas que se formaram por nossa causa, usando o mesmo estilo de roupas. Fomos fazer show na cidade delas (das Irmãs Castro) e a mãe desenhou a roupa de acordo…
Almeida – Inspirada nas estrelas que estavam ali, né?
Marilene – Também, a gente não tinha nem bunda nem peito pra mostrar…
Mary – Ah, tinha! [risos] Ah, não, agora você vai me desculpar! [risos]
Marilene – Tinha, mas é que o pai não deixava. [risos]
Mary – Não dizem que toda bela tem um pai que é uma fera. [ri] Nós tivemos.
Marilene – Então a gente só cantava. Roupinhas… tudo certinho. Então, há duplas que se espelham no que fizemos… Tem dupla jovem aí que faz o que nós fazíamos. Até hoje, a nossa roupa é sempre muito discreta, né? Mesmo também porque hoje nós não vamos mostrar nada! [risos]
Mary – Agora não tem mais nada pra mostrar! [risos]
Tacioli – Quais são duplas que se inspiraram em vocês?
Marilene – Hoje tem Lady & Laura que cantam…
Mary – … bem sertanejo, né?
Marilene – As demais já usam mais, sem querer citar nomes aqui, viu? Mas é mais…
Mary – E sem criticar também porque a época é outra.
Marilene – É, a época é outra.
Mary  As duplas femininas se vestem de acordo com o tempo.
Almeida – Mas hoje em dia o Seu Galvão ia deixar vocês ficarem, sei lá, de bustiê ou com roupas decotadas?
Mary – Não, mas agora não é o Seu Galvão, é o marido! [risos] Mas acho que mesmo pela nossa formação não nos sentiríamos à vontade.

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