gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 6/24

Vamos ao supermercado sentir a audiência do programa?

Almeida – Vocês se sentiam estrelas antes do casamento? Havia assédio? Tudo bem, a TV estava muito no começo, outra dimensão perto de hoje em dia, mas vocês chegaram a sentir isso?
Mary – Não. Nossa vida sempre foi normal. [risos] É, mesmo porque essa história de assédio é de um tempo pra cá. O público mudou, esse público jovem mudou. Ele é mais afoito, mais atrevido. Na nossa época, não, porque o público via o artista mais distante. Não sabemos explicar…
Max Eluard – Um ídolo mesmo.
Mary – Eles tinham o artista… Não havia essa “passação” de mão, não! [risos] Essas coisas…
Marilene – Que pena! Perdemos esse tempo. [risos]
Mary – Um dia nós reclamamos. A gente ouve, “Ah, passaram a mão na minha bunda”, mas na nossa ninguém passou! [risos] Sabe aquelas coisas?
Tacioli – Mas existia essa relação de ídolo com algum artista de música sertaneja?
Mary – Tinha. Cascatinha & Inhana.
Marilene – Tonico & Tinoco.
Tacioli – Causavam alvoroço?
Marilene – Eles eram homens bonitos, né?
Mary – Mas era aquela coisa. Elas sabiam que os artistas iam chegar na cidade. Então, ficavam mais ou menos perto do hotel. Ficavam as famílias, vinham o casal e os filhos, e esperavam a oportunidade. Lembro da gente chegando. Dava pra saber se havia um pessoal esperando a gente, mas ele se mantinha longe. Então esperava a gente guardar as malas… Daqui a pouco as pessoas vinham conversar com o porteiro do hotel pra saber… E sempre conversávamos, sempre fizemos assim. Nunca deixamos o fã naquela posição de “depois a gente vê”.
Marilene – Absolutamente.
Mary – Nós sempre tivemos o maior respeito. Até hoje. Nós adoramos ir ao supermercado. [risos] Um dia depois que fizemos o programa do Jô Soares, liguei pra ela, “Vem pra cá! Nós vamos ao supermercado”. [risos] É uma graça, uma delícia, principalmente aquelas senhorinhas que abraçam e geralmente tiram meu pescoço do lugar. [risos] Às vezes, apertam tanto… Aí vem, abraçam, é uma delícia. O programa da Inezita Barroso então… Ela vem pra cá, “Vamos no supermercado? Vamos sentir a audiência do programa?” [risos] É assim, e toda a nossa vida foi assim. Os jovens que se aproximavam de nós tinham sempre um pai muito bravo por perto. Tivemos sempre muito cuidado, muito respeito por nós mesmas. Nunca fomos meninas assim… foguetas. Essa época de ficar é de hoje.
Tacioli – É novo.
Almeida – É da época da mídia. [risos]
Mary – Tem a mesma idade da mídia.
João Paulo – É filha da mídia.
Mary – É, mas se a gente nascesse agora… [risos]

Tags
Irmãs Galvão
de 24