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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 5/24

Participamos de um festival da Rádio Record

Max Eluard – E que outras coisas vocês gostam de fazer além de cantar?
Marilene – Fora cantar? Cantar. [ri]
Mary – É engraçado. Quando vamos a uma festa, as pessoas nos pedem o quê? Pra cantar. Se vai para um lugar tem que estar disposta a cantar, porque se não estiver bem, é melhor nem ir. Então a gente se fala antes pra saber quem está no pique e tal. Aí vai até um desabafo… A família não nos vê como pessoas normais. Se tem uma festa… “Olha, mas traz a sanfona e o violão”. [risos] Nunca falam, “Vai ter uma festa, mas fiquem tranqüilas, não precisam cantar, não”. Então, não tem jeito, a nossa vida sempre foi em torno de música, em torno da carreira. Aí casamos, ficamos grávidas juntas. O filho dela tem 22 dias de diferença da minha.
Tacioli – Rolou uma combinação?
Marilene – Foi surpresa mesmo. [risos]
Mary – Nós continuamos cantando. Essa aqui levava o filho enroladinho num cobertor e deixava no carro. De vez em quando, a gente ia lá, dava uma olhadinha. Procuramos diminuir o número de apresentações na época para que eles crescessem, mas assim que criaram asas, ói nós na estrada outra vez. [risos] E o engraçado de tudo é que nada disso foi planejado. Nada. Nossa vida na infância, nossa juventude, o casar, o ter filhos, dar um tempinho para que eles crescessem um pouco. Ficamos afastadas por uns 6 anos, mais ou menos, cantando um pouco em televisão, mas sem gravar…
Tacioli – Quando foi isso?
Mary – Nossos filhos nasceram em 1968. Durante seis anos procuramos não fazer muita coisa. O engraçado é que o nosso fã, o fã de música sertaneja, não sentiu essa nossa ausência. Os nossos discos continuaram tocando, algumas notícias… Somente depois de seis anos, quando perceberam que a gente não ia mais em televisão também, é que começaram a cobrar… e cobrar das próprias produções dos programas. Foi assim que voltamos.
Marilene – Participamos de um festival na época.
Mary – Era um festival da Rádio Record…
Marilene – Arizona.
Mary – Não, Arizona, não. Arizona era outro. Era o Festival de Música Sertaneja da Rádio Record, da Linha Sertaneja Classe A. O Arizona era um festival que rodava o interior patrocinado por uma marca de cigarros. Nós fazíamos o encerramento do festival. Quando voltamos, depois desse tempo dos filhos, fomos fazer um programa de TV na Record e o José Fortuna e o Carlos César tinham uma música… Gente, é uma das coisas mais lindas já feitas em música sertaneja. Chama-se “Riozinho”. Eles descrevem um fio d’água, o caminho daquele rio que alimenta os animais, as borboletas, a saudade que vai naquele rio… É lindo, maravilhoso. Aí eles nos mostraram. Nunca havíamos participado de festival nenhum e tínhamos um pouco de medo, sabe? Que essas coisas, a gente sabe que…
Tacioli – Vocês acompanharam os festivais da época?
Mary – Da Record. E ficamos com um pouquinho de medo, mas quando ouvimos a música, ai… Essa não é música pra ganhar o primeiro lugar, mas é uma música pra ficar. Nós entramos, demos o melhor e ela pegou o primeiro lugar.
Marilene – Foi lindo.
Tacioli – Em que ano que foi?
Marilene – 79.
Mary – Aí não paramos mais…
Tacioli – Como era a música?
Mary e Marilene – [cantam] “Meu rio pequeno / Braço líquido dos campos / Rodeado de barrancos / Corroído pelos anos / Vai arrastando folhas mortas de saudade / Pôr-do-sol de muitas tardes / Ilusões e desenganos”
Mary – Gente, é uma coisa, é comprida…
Marilene – É linda.
Mary  Nunca conseguimos decorar essa letra inteira. [risos]
Marilene – Dá uns cinco minutos no disco.
Mary – Quase 7!
João Paulo – É grande mesmo.
Mary – Nunca mais cantamos essa música, mas é uma obra-prima. Ganhou o primeiro lugar, né?

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