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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 24/24

O Geraldo Meirelles foi um pioneiro da TV brasileira

Max Eluard – Vocês já desfilaram em Carnaval?
Mary – Ah, já desfilamos pela Vai-Vai. Pensa que não? Adoro carnaval, adoro. Tanto fiz que um dia peguei o Thobias [da Vai-Vai] e disse que era um sonho da gente desfilar numa escola de samba, mas tinha que ser a Vai-Vai. “É pra já… Tal dia, tal hora no Sambódromo.” Gente, vocês nunca foram?
Todos – Não.
Mary – Dêem um jeito. É maravilhoso! Uma adrenalina.
Marilene – É completamente diferente de quando fazemos show.
Dafne – Vocês foram em carro ou no chão?
Marilene – Em carro. Nós, Os Demônios da Garoa, o João Paulo e Daniel, na época. Tinha quem mais? O Jair [Rodrigues]?
Mary – Não.
Bara – Ah, tem show no Carinhoso também.
Marilene – O que é o Carinhoso?
Mary – É uma casa de show aqui em São Paulo.
Dafne – Tem uma história de que o Luis Carlos Paraná foi dono desse lugar.
Max Eluard – É verdade.
Tacioli – Aliás, vocês freqüentaram o Jogral? [n.e. Famoso bar paulistano dos anos 60 e 70 criado pelo músico Luis Carlos Paraná, que teve como sócios figuras como Marcus Pereira, Paulo Vanzolini e Martinho da Vila]
Mary – Não, não freqüentamos, mas gravamos uma música do Luis Carlos Paraná a pedido de pessoas que freqüentavam o Jogral.
Max Eluard – Quem?
Mary – O Nerval Ferreira Braga, que era o Secretário de Segurança na época, o João Pacífico, o Saulo Ramos, que depois foi Ministro da Justiça… Eles que pediram pra gente gravar. Eram muito amigos e freqüentavam o Jogral. O Luis Carlos Paraná cantava “Se for pra medir saudade” [n.e. Lançada pelas Galvão no disco de mesmo nome, CBS, 1965].
João Paulo – Nossa.
Mary – Linda, né?
João Paulo – A que eu mais gosto dele é aquela… [cantarola] “Eu sei que ainda vou morrer de amor / Mas que ninguém venha chorar por mim”.
Mary – Sei, essa é linda também.
Tacioli – E do Adauto [Santos], o que você gravaram?
Mary – Do Adauto, gravamos agora o “Triste berrante” [n.e. Lançado no disco Nóis e a viola, Warner/Atração, 2001]. Houve uma época muito legal quando o Adauto veio para São Paulo com a dupla dele… Ele cantava na Rádio Bandeirantes, veio do Paraná. A gente teve uma convivência legal com ele.
Tacioli – E qual a importância do Geraldo Meirelles?
Mary – Ele foi o pioneiro da televisão brasileira a tocar música sertaneja. Nossa! Televisão nem pensar! A gente cantava quando era pequenininha porque era novidade, engraçadinho. Somente por isso. Mas não por causa da música sertaneja. Queriam até que nós cantássemos música popular. E o Geraldo Meirelles foi quem peitou. Fez o primeiro programa de música sertaneja na TV Cultura [n.e. O programa Canta viola]. Nós estávamos lá no primeiro, ajudando, ficamos na produção também e cada uma contribuía conforme seu potencial. Um ficava no camarim, outro ia ligar pro Cascatinha & Inhana… Todo mundo ajudou a fazer o primeiro programa e foi o Geraldo quem peitou. A partir daí surgiu o Viola minha viola, que nós também estávamos no primeiro programa. Nós somos arroz de festa. [risos]

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