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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 22/24

Pelo amor de Deus, parem de se beslicar e cantem sério!

Tacioli – Vocês tem disco ao vivo?
Mary – Não, mas vamos fazer. Do jeito que o show é.
Almeida – Desse jeito mesmo? Sem roteiro, com as piadas?
Mary – Do jeito que é.
Marilene – Fizemos uma vez, no SESC Pompéia, um show que foi produzido pelo Dr. Brás Bacarini. Ele é advogado e…
Mary – Folclorista, né?
Marilene – Aí ele disse que queria fazer um show com a gente.
Mary – Contar a história da música, a trajetória da música sertaneja até Milionário & José Rico, na época, né?
Marilene – Então havia algumas coisas que a gente tinha que decorar. Nossa, aqueles textos! E o Dr. Brás, “Não, mas vocês tem que decorar, é a história”. A gente sabe da história, mas ele queria que falasse ali as coisas. Nós combinamos, “Nada de falar. Vamos contar a história do nosso jeito”. Sabe quem estava assistindo? O Djavan. Depois ele apareceu nos camarins pra conversar. Mas o show agradou tanto que no meio o público ria demais… e às vezes não era para rir. [risos] O Dr. Brás ficava branco lá atrás. [risos]
Almeida – Essa parte é séria, gente! [risos]
Mary – Aí no meio eu falava pra ela, “Olha o texto!”. E o público ria.
Marilene – Mas foram três dias ótimos de público.
Almeida – E não foi gravado?
Marilene – Não. Judiação, né?
Mary – Houve um outro momento muito gozado por causa desse show. O Mário Campanha produz as nossas coisas e fez “O calor dos teus abraços”. A gente dançava. Fez “O menino canoeiro” e “O boi”… [cantarola] “Esse boi é meu, esse boi é meu”… que é um rock, um rockpira. A gente naquele embalo. Aí ele falou que no próximo disco a gente ia sair com uma guarânia bonita, sentimental, romântica mesmo… “Mas vocês me fazem o favor”… O Ratinho é quem gosta de levar a gente, porque quando a gente descobre uma câmera meio escondida, uma cutuca a outra, mostra uma coisa engraçada. Aí ele me viu beslicando a bunda dela [risos], nem me lembro mais porquê. Em outro programa, ele falou com um câmera pra prestar atenção. E deu certo. Belisquei outra vez. Aí, o Mario chegou para nós e disse, “Vou fazer uma música pra vocês, mas é séria. Cês, pelo amor de Deus, parem de beslicar uma a outra e cantem sério. Porque vocês vão cantar um amor sofrido. [risos] Então, por favor, interpretem”. Pra gravar foi maravilhoso, uma interpretação. Mas chegou o dia de lançar a música. Ele ficou bem na frente, só olhando. Na introdução ela já começou querer fazer alguma coisa, mas eu cortava, “Olha o produtor!” No meio da música, a gente já estava alegrinha e esquecemos dele. O produtor que se foda! [risos] E não tem jeito, nosso show é assim. Não tem nada programado, tudo acontece na hora. A gente usa muito o público e ele se identifica muito com a gente. É assim que a gente faz.

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