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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 17/24

Um fã pagou R$ 400,00 por um LP nosso

Max Eluard – Em algum momento, vocês sentiram a música sertaneja como uma camisa-de-força? Vocês tiveram vontade de gravar outros estilos, fazer outro tipo de música?
Mary – Não. Nós gostamos muito da música sertaneja. Fazemos isso com muito amor.
Marilene – E mesmo quando quisemos fazer um trabalho diferente, fizemos. Gravamos boleros no tempo dos 78 rotações. Temos esse lado. E não é que ficamos em cima do muro, não. Nós vestimos a camisa do sertanejo porque gostamos desse trabalho. Quando pequenas gravamos com grandes orquestras.
Mary – Podemos nos dar a esse luxo de cantar. E o engraçado é que sempre nos aceitaram do jeito que somos. Nunca houve restrição.
Bara – Esse Lembranças é lindo!
Mary – É mesmo. E nos sentimos capazes de fazer qualquer tipo de música. Mas agora, talvez pela idade, as pessoas tem a gente como cidadãs do mundo. Então nos damos o direito de fazer as coisas como a gente gosta. E o público nos aceitando como nós somos.
Max Eluard – No site de vocês, na seção Discografia, há a relação dos discos, com número de série, data de gravação, essas coisas. Ter esse registro é uma preocupação de vocês?
Bara – É pra ser bem fiel, bem feito. Sou bem perfeccionista.
Max Eluard – Mas isso já vinha de vocês ou foi a Bara que trouxe?
Bara – Foi o Maikel.
Almeida – Um fã?
Mary – Um menino que ligou para nós de Santa Catarina. Tinha 16 anos. “Olha, sou fã das Irmãs Galvão”. “Ah, tá bom!” [risos] Como é que você gosta das Irmãs Galvão? “Ah, tenho tal disco, tal disco, tal disco, 78 rotações de vocês”. “Opa, peraí, temos que ver isso com mais carinho.” Esse rapaz se chama Maikel Monteiro. Começou a ligar mais vezes querendo saber como conseguiria outros discos. “Mas, menino, como é que você sabe disso?” “Ah, ouço vocês desde criança! Meu avô já gostava e eu adoro vocês. Então o que não tenho, procuro”. Ele mandou buscar um disco nosso em Belém e pagou R$ 400,00 no LP. Foi ele que fez o levantamento de toda nossa discografia, com números e datas, tudo. Ele sabe tudo a nosso respeito. Tem outros também, como o Aníbal, violeiro e veterinário. Gosta tanto da gente que passou a nos acompanhar em shows, está sempre perto. Ele canta também como João Pinheiro, da dupla Zé do Cedro & João Pinheiro. Tem a Carol, que é apaixonada por nós, sabe de tudo. Aliás, existe uma briga entre os três, uma ciumeira danada. [risos]
Max Eluard  Pra saber quem é mais fã!
Mary – Ontem, eu estava com o Maikel no telefone e tocou o outro. Era a Carol. “Oi, Carol, tô com o Maikel no telefone”… [faz uma voz seca] “Tá, ligo depois”. [risos] E é assim.
Bara – Não ouse entregar um disco para um e não para o outro.
Mary – Quando sai um disco nosso, qualquer coisa nossa que sai, tem que ter o cuidado de pegar os três e levar ao mesmo tempo no correio. Se não chegar… nossa, “Mas, olha, não temos nada com isso, olha aqui a data e a hora”.[risos] Eles ficam magoados.

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