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mais do que entrevistas grandes, grandes entrevistas.

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 16/24

Em 1954, um astrólogo disse que faríamos sucesso na 3ª idade

Tacioli – Da discografia de vocês, há muita coisa em catálogo?
Mary – Tem muita coisa fora de catálogo, m as ainda tem algo à venda. Se bem que mulher no Brasil… É muito difícil, né?
Tacioli – Acho que foi a Inezita Barroso que falou que mulher artista no Brasil só é valorizada quando perde a cintura e envelhece.
Mary – É dela, com certeza. E tem razão.
Tacioli – Tem razão? Vocês sentiram isso no decorrer da carreira? Vocês tem uma reconhecimento maior agora de quando eram mais moças?
Mary – Com certeza, com certeza. E todas, todas, a não ser agora, com a Sandy & Junior, Wanessa Camargo… esse pessoal que está aí, né? Mas eu duvido de qualquer artista brasileira, a não ser Sandy & Junior, de 1 milhão de cópias de vendagem. Cantora, não acredito. Agora, esperamos muito nossa 3ª idade porque houve uma previsão em 1954… Estávamos na Rádio Bandeirantes e havia o Omar Cardoso, astrólogo, famoso na época. E o Omar era muito amigo nosso. Estávamos chegando na rádio, ele assim no corredor, e fomos chegando perto dele. Aí ele falou pra gente, “Olha, vocês têm uma coisa. Cantam muito bem, só que o canto de vocês não é para agora. E vocês somente vão atingir sucesso na 3ª idade”. Então, esperamos ficar velhas com ansiedade. [risos] Olha, nós ralamos, viu? [risos] Ralamos. Quando tinha bunda, não podia mostrar. Tinha perna, não podia mostrar. Cantava bem, mas…
João Paulo – Somente na 3ª idade.
Mary  Somente na 3ª idade. Olha que lindas estamos agora! Mas vamos entrar agora numa recauchutagem. Aguardem! [risos]
Tacioli – Mas vocês sentem falta de reconhecimento?
Mary – Ah, todo mundo sente, né?
Bara – Reconhecimento existe. Não existe uma notoriedade, mas reconhecimento existe. Sei porque estou sempre nas televisões e rádios. Reconhecimento existe.
Mary – É.
João Paulo – E é algo mais verdadeiro que a notoriedade.
Max Eluard – A notoriedade pode ser fabricada, o reconhecimento, não.
Marilene – Permanecer 56 anos dentro de uma carreira e fazendo o que nós fazemos… Continuamos sendo requisitadas para grandes encontros, grandes festas… Eu acho que isso é… Não podemos nos queixar de nada. Somente agradecer. É bastante tempo, né?
Mary – Numa roda de pessoas conhecidas nossas estava o Faustão [n.e. O apresentador Fausto Silva, da TV Globo]. A gente estava conversando sobre os artistas, os que estão na mídia. Falavam de um, falavam de outro. Aí o Faustão virou e falou, “Olha, gente, só que tem uma coisa. Todo esse povo que vocês estão citando, estão na mídia, fazendo sucesso, ganhando dinheiro, mas quero saber de vocês se existem duas duplas iguais a Tonico & Tinoco e As Irmãs Galvão com o prestígio que esse povo tem?” Não sei se a gente tem que ficar feliz com isso? A gente tem prestígio, mas eles ganharam dinheiro. [risos]
João Paulo – Prestígio não paga a conta, por um lado.
Max Eluard – Como diria o Adoniran Barbosa sobre troféus, “prefiro a minha parte em dinheiro!” [risos]
Mary – Mas valeu. Faríamos tudo da mesma forma, do mesmo jeito. Faríamos tudo de novo. Não podemos nos queixar.

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