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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 15/24

Fizemos um disco com músicas do Baden, Raul, Cartola e Chico

Tacioli – Vocês estavam falando de “Beijinho doce” virar um rock’n’roll e do medo de sua repercussão. Houve algum momento na carreira que vocês sentiram alguma pressão, uma coisa negativa, por terem adaptado uma música ao outro estilo?
Mary – Não.
Tacioli – Das pessoas falarem, “Olha, vocês estão fugindo do estilo de vocês!”
Mary – É engraçado.
Marilene – Depois que soubemos. Fizemos um disco somente com músicas da MPB e teve uma do Baden Powell… Nós gravamos…
Mary – “Apelo”. [n.e. Parceria de Baden Powell e Vinicius de Moraes]
Marilene – E fizemos…
Mary – Mas isso foi por questão de…
Bara – Falta de autorização.
Mary – É, foi problema da gravadora. Não foi porque ele não gostou, muito pelo contrário, ele comentou que a gente gravava muito bem. Esse disco nos deu o prêmio Sharp [n.e. Lembranças, Warner, 1992]. Gravamos somente clássicos da MPB.
Bara – Inclusive Raul Seixas (“Tente outra vez”).
Mary  Inclusive Raul Seixas! Gravamos Chico Buarque (“Terezinha”), Baden Powell, Vinicius de Moraes…
Marilene – Cartola (“As rosas não falam”).
Mary – Fizemos porque cantávamos também MPB quando criança [n.e. No disco ainda estão presentes composições de Maysa, Lupicinio Rodrigues, Adelino Moreira, Dolores Duran e a dupla João Bosco e Aldir Blanc, entre outros].
Almeida – E o público cativo estranhou?
Mary – Não chegou a estranhar porque foi uma coisa lamentável na nossa vida de disco. A gravadora fez o disco, não lançou, não colocou em catálogo.
Bara – Fizeram somente 500 cópias!
Mary – O que a Marilene queria contar é que na época não houve autorização do Baden Powell, mas não nada contra nós.
Max Eluard – Contra a gravadora.
Mary – É, aí, por causa disso a gravadora engavetou o disco. Esse disco está indo para Portugal agora.
Marilene – E foi com a música dele que ganhamos o Prêmio Sharp.
Almeida – Que contradição!
Marilene – E entre os jurados estavam a Wanderléa, o Gilberto Gil, o Caetano Veloso, uns maestros do Rio de Janeiro…
Mary – Todo mundo elogiando o disco.
Almeida – E ninguém ouviu!
Tacioli – É um disco quase inédito.
Marilene – É.
Almeida – Mas agora vocês fizeram outra tiragem?|
Mary – Vamos fazer. Porque agora, através da Bara, que além de nosso anjo da guarda é nosso guarda-costas…
Marilene – É quem briga, né?
Mary – Ela fez o levantamento de todas as nossas coisas… Descobriu que não teve contrato, que não foi lançado. Então, a master é nossa. “Dá aqui! Quer brigar? A gente briga. Mas a master é delas”.
Bara – Se eu peço pra elas abrirem a boca, o disco é delas. Se eles falam que o disco é deles precisam ter o contrato.
Max Eluard – Exatamente.
Bara – Eu provo que o disco é delas, olha a voz, mas vocês não podem provar que a master é de vocês. Cadê o contrato?
Max Eluard – Acabou a discussão.

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