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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 14/24

Um dos nossos sonhos é gravar com a Rita Lee

Almeida – Vocês têm projetos para o futuro, antigos ou recentes, mas que vocês ainda não realizaram?
Mary – Temos.
Almeida – Quais?
Mary – [silêncio seguido de risos] Vamos cantar fora do Brasil. Já que temos nossa presença em Portugal, Canadá, Estados Unidos – em alguns Estados. Nós temos um irmão que mora em Orlando e ele disse que está ficando famoso quando descobrem que é nosso irmão. Então, para esse ano, vamos para fora do Brasil.
Tacioli – Pela primeira vez?
Mary – Pela primeira vez. Já fomos para o Paraguai comprar umas muambas. [risos]
Marilene  Prenderam as muambas. [risos]
Max Eluard – Pegaram todas muambas?
Marilene – A primeira vez, ficamos assim: “Yes!!”. Compramos umas coisas, quando a polícia chegou lá, prendeu tudo! [gargalhadas] Ai, que ódio, não?
Mary – Nós não fizemos nada de errado. Fomos cantar em Dourados, no Mato Grosso…
Bara – Em Pedro Juan Cavallero [n.e. Cidade paraguaia que faz fronteira com a cidade brasileira de Ponta Porã, Mato Grosso]
Mary – Isso, em Pedro Juan Cavallero. Aí, olha as muambeiras…
Marilene – Videocassete, perfumes. [risos]
Mary – Um monte de coisas! Nós fomos tão tontas que compramos aquelas malas manjadas… [risos]
Max Eluard – Aquelas que têm escritas do lado de fora: muamba.
Mary – É, muamba! Chegando na Polícia Federal, abriram lá e hummm… Ainda trouxemos um perfuminhos! [risos] Aqueles perfuminhos que duas horas depois já não sabia mais o que era. Era melhor tomar banho.
Tacioli – Qual o público de vocês lá fora? Quem ouve as Irmãs Galvão no exterior?
Mary – O jovem.
Tacioli  É o público latino?
Bara – Latino.
Mary – É, latino.
Tacioli – Mas existe um trabalho de divulgação voltado para esse público?
Mary – Não, não.
Max – É espontâneo?
Mary – É espontâneo, mesmo. Não tem divulgação, nem trabalho de gravadora. Os emails que a gente recebe… O que deu de chamadas internacionais depois de nossa apresentação no programa do Jô Soares!
Almeida – Os portugueses assistem muito ao programa dele.
Mary – De Portugal recebemos muitos. Porque, depois de nossas apresentações – não somente no Jô, mas no Jô mais porque ele tem o lado humorístico, né, e atualmente nós não somos nem feias, nem bonitas, somos gozadas! [risos] E a gente tira proveito dessa situação. Com o Jô Soares foi muito engraçado porque, de início, ele chegou e anunciou as Irmãs Galvão. E aí, “Você é a Mary e quem é a Marilene?” Aí a Marilene, “Dá licença, né? Acho que sou eu”. Aí ele perguntou, “Você são casadas?” Aí ela: “Não, somos irmãs”. [risos]
Max Eluard – No fim vocês cantaram “Beijinho Doce”, que virou um rock ‘n’ roll, né?
Mary – Isso.
Max Eluard – Foi muito bom!
Mary  Foi engraçado porque a gente estava passando som e passa, passa, passa, aquele negócio, “Toca o acordeom. Toca isso. Toca aquilo”. Aí, a gente já tava meio cansadinha de passar som, quando o Mário Campanha falou, “Vamos lá, pessoal” e a gente começou [imitando riffs de guitarra] “Que beijinho doceee…” e virou um rock. E lá na hora, a produção achou fantástico, “Vocês têm que fazer assim”. E a gente, “Não, não”, não queríamos deturpar a coisa. Eles insistiram e nós fizemos. Ficou legalzinho…
Max Eluard – Mas vocês ficaram com medo de deturpar a música, de descaracterizá-la?
Mary – Ficamos.
Tacioli – Teve alguma resposta negativa?
Marilene e Mary – Não…
Bara – Pelo contrário.
Mary – Foi uma preocupação nossa mesmo. Aliás, teve um que sugeriu que a gente gravasse alguma coisa nesse sentido. E se você perguntar, um dos nossos sonhos, e que ainda vamos realizar, é gravar com Rita Lee.
Max – Que ótimo!
João Paulo – Ela é bárbara.
Mary – Por duas vezes, nós estivemos bem próximas de fazer isso, mas aí, por uma circunstância ela viajou…
Max Eluard – Mas era pra se fazer um rock ou uma música sertaneja? Ou pra misturar tudo?
Mary – Por que não misturar, né? Fazer alguma coisa nesse sentido.
Tacioli – A idéia era pra fazer um disco ou uma música?
Mary – Ainda não sabemos…
Tacioli – Vocês têm contato com ela?
Mary – Não.
Tacioli – Nunca conversaram pessoalmente?
Marilene – Nunca.
Almeida – Ela não sabe dessa idéia?
Marilene e Mary – Não sabe.
Marilene – Surpresa! [risos]
Mary – Boneca, nos aguarde que estamos chegando aí! Nosso grande ídolo foi Elis Regina e em uma de suas entrevistas ela cita a gente como grandes intérpretes no Brasil. A gente guarda isso com carinho.
Almeida – Você nunca se conheceram?
Mary – Não.
Almeida – Nem em shows ou programas de TV?
Mary – Não. Não perdemos quase nenhum show dela aqui em São Paulo. Mas tínhamos uma informação errada sobre o gênio da Elis, então ficávamos com muito medo de nos aproximar e de não ser bem recebidas. Aquela história… Nós queremos ser paparicadas. Nos arrependemos muito de não ter tido contato com ela. Seria uma coisa muito boa.

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