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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 12/24

Fomos alertadas para não irmos à festa de premiação do Grammy

Mary – “O calor dos teus abraços” nos projetou nacionalmente. Fizemos muitos shows de norte a nordeste, né? E nos deu Disco de Ouro e várias coisas. Com músicas desse disco e mais outras fizemos uma coletânea. Fizeram muito sucesso em Portugal. Hoje a gente tem notícia, através da Internet, que nossas músicas são bem executadas em uma parte dos EUA, Portugal…
João Paulo – E no Japão?
Marilene – No Japão…
João Paulo – Vi dados que diziam que o Japão é o maior exportador de música brasileira.
Mary – É, inclusive, esse documentário sobre música sertaneja passou no Japão, e nós aparecíamos no filme. Dizem que fomos aplaudidas. Isso tudo. E agora também, quando fomos indicadas ao Grammy – o Gilberto Gil foi quem ganhou na categoria –, nós não estávamos, mas quem estava disse que, na hora em que nos apresentaram no telão, fomos muito aplaudidas.
Max Eluard – Por que não foram?
Mary – [silêncio] Por que não fomos?… Porque fomos alertadas.
Marilene – É…
Mary – Estávamos com tudo pronto, passagem pronta, mala pronta, tudo pronto. E encontramos um grande amigo que disse, “Eu não iria”.
Marilene – Ele já tinha estado lá, né?
Mary – Ele já havia estado lá (na premiação do Grammy) no ano passado e disse que era uma coisa muito triste para o artista brasileiro, que eles não tomam conhecimento… [toca o telefone] [Para a Bara] É o telefone lá embaixo, por favor, deve ser o Mário (Campanha). [Retomando] Então, fomos alertadas…
Max Eluard  … De que não seriam bem-tratadas?
Mary  … De que não seríamos bem-tratadas. E nós estamos tão acostumadas a ser mimadas. Tínhamos acabado de receber o Prêmio Caras, no Rio de Janeiro. Então, tínhamos a nossa volta Gilberto Gil, Milton Nascimento, todos nos paparicando. Sabe aquela coisa linda? Quando a gente chega num ambiente desses, você não acredita que o Milton Nascimento possa ser fã da gente. Aí, chega e, “Pô, eu gosto de vocês!” Gilberto Gil, cada vez que nos encontra é aquela festa. A gente tinha sido paparicada por todos globais naquela festa e “Quer saber de uma coisa? Para chegar lá e ser mais uma na festa?” Mais uma não, nem isso.
Marilene – Eu liguei pra o Castanha e o Cajú e falei, “Castanha, a informação que nós temos é essa”. “Ah, mas vale a pena ir, pelo prazer. A gravadora…”
Mary – Trama.
Marilene – Isso, Trama, né? “Eles estão nos mandando pra lá, vocês também deveriam ir”. Falei, “Não. Nós já ficamos meio desanimadas. Pelas informações, quem chega lá é apenas mais um”. Depois nós estivemos com eles no Rio e eles falaram que a melhor coisa que a gente fizemos foi não ter ido.
Tacioli – Que importância havia nesse prêmio pra vocês? O que representa?
Mary – Todo prêmio é importante, né? É o reconhecimento do trabalho.
Marilene – E ser indicada entre os cinco melhores.
Mary – Na categoria… então, para todo artista… por menor… Qualquer prêmio é prêmio. Não tem prêmio menor. A gente não pode dizer que um é menor. Tanto é que temos todos expostos. A gente gosta de expor…
Tacioli – É uma coisa paradoxal. Há essa importância do prêmio, mas as pessoas não as conhecem. Não é estranho isso?
Mary – É muito estranho e a gente ia se sentir muito frustrada se fosse e… Não estamos mais na idade disso, não. Estamos na idade de ser paparicadas. [risos]
Max Eluard – Pra vocês, qual foi o prêmio mais importante?
Marilene – Todos. Quando você descerem (para o interior da casa), dêem uma olhada na quantidade que tem ali, fora outro tanto que está em casa.
Almeida – Nós vimos.
Max Eluard – Mas qual teve um significado especial?
Mary – Semana passada fomos convidadas para uma conferência na Maçonaria. Nós íamos lá para assistir a uma palestra – não tem nada a ver, né? Mas enfim… Insistiram tanto que nós fomos. Chegando lá, fomos agraciadas por uma medalha pelo tanto que nós já fizemos pela música brasileira, pela música sertaneja. Então, esse foi o penúltimo prêmio que nós recebemos.
Max Eluard – Foi uma surpresa?
Marilene e Mary – Foi surpresa.
Mary – E dentro da Maçonaria! Uma coisa restrita somente a homens, que são reconhecidos lá dentro e, de repente, estávamos lá, recebendo uma medalha de reconhecimento pelo nosso trabalho.
Marilene – A revista Verdade, né?
Mary – Revista Verdade. Vamos receber um outro prêmio aqui, correspondente ao Dia das Mulheres, pelo Rotary Club, pelas mulheres que fizeram filantropia. Dizem assim, “Olha, será que vocês gostariam de…”. “Nossa, nós adoramos prêmios!” [risos]
Marilene – Houve um que nos emocionou bastante. Foram dois dias de festa. A cidade em que a gente começou a cantar – Paraguaçu Paulista – nos deu o título de Cidadãs de Paraguaçu…
Almeida – Isso foi quando?
Marilene – Foi dia…
Mary – Foi em março do ano passado? Junho, julho…
Marilene – Foi uma festa maravilhosa! Foram dois dias de festa, sabe? Foi lindo. Trouxeram pessoas que fizeram parte de nossa infância.
Mary – Foram buscar nossos vizinhos, foram buscar as pessoas que conviveram conosco na infância. Pessoas que falavam pro papai, “Olha, precisa levar essas meninas para o rádio!” E, de repente, a gente viu todo mundo lá… Sentíamos, assim, as melhores. Estavam todo velhos…
Marilene – E agora vamos receber (o prêmio) lá de Assis, né?
Mary – A gente vai receber o título de cidadãs também em Assis.

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