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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 10/24

Participamos de um único filme. Chamava-se A vaca foi pro brejo

Tacioli – Que história curiosa vocês têm dessa época em que vieram para São Paulo e começaram a fazer shows com os artistas de rádio?
Mary – Tem uma coisa que a gente lembra com saudade. Eliana e Adelaide Chiozzo eram nossos ídolos no cinema, né? E elas cantavam em dupla, cantavam “Beijinho doce” e outras músicas sertanejas. Pra nós era o supra-sumo do sucesso. E nós estávamos na época fazendo o Ronda dos Bairros na Rádio Nacional. E elas chegaram e viram a gente ali, pequenininhas, bonitinhas. Eu toco sanfona desde pequena e a Adelaide Chiozzo toca acordeão. Mas elas ficaram tão apaixonadas por nós… Ficamos assim, sabe aquela emoção, de ver, de repente, saindo da tela seu ídolo e te abraçar, quase pegando no colo… Foi uma das coisas que… [fala emocionada]
Almeida – Vocês nunca receberam convite pra fazer cinema?
Mary – Recebemos, sim. [risos]
Almeida – Segura que essa é boa. [risos] Senti que essa é boa.
Mary – Tivemos. [ri]
Marilene – Participamos de um filme. [ri]
Mary – E a vaca foi pro brejo. [risos] [n.e. Longa-metragem dirigido por José Adalto Cardoso e lançado em 1981]
Marilene – É o nome do filme! [risos]
Mary  É o nome do filme.
Dafne – Como e quando foi isso?
Mary – O nome do artista era…
Marilene  … Polêncio.
Mary – Ele fazia a linha do Mazzaropi. Aí ele fez o filme… Cascatinha & Inhana também cantaram no filme, e nós fomos lá…
Almeida – Mas conta como é que começou.
Dafne – Quando foi?
Mary  Foi na época do festival que ganhamos na Rádio Record. Esse Polêncio era assistente do Zé Bettio. Não me lembro bem se o Mazzaropi já tinha falecido, mas esse Polêncio fazia show em circo, mas bem naquele jeito do Mazzaropi. Então ele arrumou uma verba, um patrocínio, e resolveu fazer um filme. O nome do filme, E a vaca foi pro brejo. Era uma história lá do interior… Francamente não me lembro da história. Aí levamos a família toda pra ver nossa estréia no cinema. A estréia foi no Cine Olido, lá na Av. São João… Ah, banda na porta do cinema, telefona pra um, telefona pra outro, levamos a família inteira para a estréia do filme. Você nos viu? [risos]
Marilene – [risos] Não.
Mary – Quando eu me emocionei, que entrou aqui na tela, já tinha saído. Nós viemos assim cantando uma música… Era bonita, não lembro o nome, só sei que era um toada… Tinha uma história triste, um carro de boi e nós sentadas assim, atrás, no carro de boi, arrastando o pé e cantando a música, aquela música triste… Só que entrou aqui na tela [aponta para o que seria o lado esquerdo da tela], saiu o boi lá e nós fomos junto [risos]… E a vaca foi pro brejo… [risos] Essa foi nossa experiência no cinema. [ri]
Tacioli – Foi a única experiência?
Mary – Única e última.

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