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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

Irmãs Galvão. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Irmãs Galvão

parte 9/24

Viemos de SP pra gravar e vocês não vão nos gravar?

Tacioli – Qual foi a primeira música sertaneja que vocês gravaram?
Mary – Foi “Carinha de anjo”, uma música que achamos no interior de Minas Gerais.
Almeida – Como era?
Mary e Marilene – [cantam] “Carinha de anjo / Boquinha de rosa / Caipira formosa / Flor do meu país / Me dá teu beijinho / Me dá teu carinho / Não sai desse ninho / Me faça feliz”.
Mary – Bem do interior de Minas mesmo!
Tacioli – Quem eram os compositores?
Mary – Fábio Meribe e Castol Ianuzi.
Marilene – Eles eram de São Sebastião do Paraíso.
Mary – Do outro lado tinha uma versão que o Palmeira – o Diogo Muleiro – nos trouxe. Ele nos ouviu na Rádio Bandeirantes, onde fazíamos um programa, ao vivo, às 6h da manhã.
Tacioli – Que lembrança vocês têm dessa primeira gravação?
Mary – Tínhamos que ir ao Rio de Janeiro. Ai, que lindo ir para o Rio de Janeiro! Fomos lá gravar no estúdio da RCA Victor, porque o disco era da RCA… Até foi engraçado porque eles aproveitavam pra gravar uns 3 ou 4 artistas. Os homens gravaram primeiro. Palmeira & Biá, depois Nenete & Dorinho… Teve o Biguá declamando e nós ali, sentadas, o dia inteiro, esperando! Eles terminaram e o produtor, “Bom pessoal, vamos embora que acabou!”… E nós ali, não reclamamos de nada. Aí o técnico falou: “Tudo bem. Posso fechar tudo?” E essa daqui falou “Ah, dá licença, né? Nós viemos de São Paulo pra gravar e vocês não vão gravar a gente?” [risos] Aí, pra alcançarmos o microfone, tiveram que pegar uma caixa lá em um depósito, porque o microfone não chegava na nossa altura. Foi muito legal.
Marilene – E era feito com os músicos. Direto. Ensaiava-se ali na hora…
Mary – Não existia pro-tools. [risos]
Tacioli – E gravaram uma vez só?
Mary – Uma vez só.
Marilene – Não se podia errar, né?
Mary – Não podia errar. Os músicos ali, e a gente chegava e cantava. Cantamos bonitinho e saímos toda felizes para o Pão de Açúcar, pra festejar… Foi muito legal. Gravava-se dois discos por ano, então a cada seis meses íamos ao Rio. Ficou moleza pra nós. A gente já chegava com as músicas todas ensaiadas e era só chegar e gravar. Ficava uns dias no Rio. Não ia à praia porque o pai não deixava botar maiô! [risos]

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