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Entrevistas de música brasileira

Inezita Barroso

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Inezita Barroso

parte 1/22

Eu não acho defeito em São Paulo

Inezita Barroso – Isso aqui é maravilhoso.
Ricardo Tacioli  Você mora nessa região há muito tempo?
Inezita  Há 20 anos. Eu já morei no São Vicente de Paula, mas sempre por aqui. Nasci na Barra Funda, aqui do outro lado do Minhocão. Estou acostumadíssima com esse pedaço.
Daniel Almeida – Inezita, vou colocar o microfone.

[pausa]

Almeida  Inezita, como foi a segunda-feira? [n.e. Festa de aniversário dos 25 anos do programa Viola, minha viola, realizado na Sala São Paulo]
Inezita  Espetacular, mas vocês verão melhor amanhã e domingo.
Almeida  Por que?
Inezita  Porque vai pro ar o programa editadinho. Sempre tem umas coisinhas, umas falas a mais, uns branquinhos no meio. [risos] Já editaram, está muito bonito. O som está lindo! Amanhã vai ao ar o registro inteiro. Na segunda-feira não foram ao ar a segunda e terceira músicas. Acho que não passou a entrada do Sérgio Reis, que chegou depois. Eu quero tudo direitinho, bonitinho.
Dafne Sampaio  Durou quantas horas? Ele foi exibido ao vivo em apenas uma hora…
Inezita  Foi uma hora, mas aí teve mais duas ou três músicas minhas com a Orquestra de Viola e no começo teve o Pena Branca [n.e. Nome artístico de José Ramiro Sobrinho. Ao lado do irmão Xavantinho (1942-1999), formou uma das duplas mais queridas da música caipira, responsável pela fusão do gênero do campo com a MPB], lá de Pirapora, que não foi inteiro também. O Pena sentou no meio do lago e começou a cantar. Aí demoraram pra ligar os botões, coitado, acho que cantou quase inteiro o “Cuitelinho”. [n.e. Artigo folclórico recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó, e gravado por figuras como Inezita, Pena Branca & Xavantinho, Diana Pequeno e Milton Nascimento] Era pra cantar um tempo certo pra medir direitinho e no meio iam dizer que tinham instalado a parabólica, que era o maior presente para o interior, né? Parece que a demora tirou um pouquinho a emoção, mas amanhã vai estar bonito. E aí começaram a soltar os fogos lá [Pirapora], que emendaram com os fogos daqui. Teve também a chegada da carruagem… O cavalo somente deu três passinhos. [risos]
Dafne  Estava parado e deu uma andadinha.
Inezita – É. Eu queria dar uma volta naquele largo.
Almeida  Não deixaram, Inezita?
Inezita  Não, não dava, não cabia. Foi bonito, mas aquela carruagem está à disposição aos domingos pra dar umas voltas pela cidade. E eu quero!
Dafne  É mesmo? Pode alugá-la?
Inezita  É da Secretaria de Cultura. Ela dá uma volta no centro de São Paulo, mostrando as coisas, como um ônibus, mas é uma coisa bem paulista, aquela carruagenzinha linda, linda, linda!
Tacioli  E hoje o que tem em São Paulo pra se ver de charrete?
Inezita  Atualmente aqui na cidade… de paisagem? Muita coisa, começando pela Praça da Sé, que é linda, maravilhosa, apesar de todos os defeitos. Eu não acho defeito em São Paulo. Acho que tudo isso faz parte, tem que ter. A cidade cresceu muito, você não pode afastar, brecar nada disso mais. Isso é lindo! O rio Tietê é lindo! Eu filmei até para o exterior. Foi um su-ces-so! Cada um escolheu um lugar mais chique. Eu fiquei para o fim. [ri] Museu de Arte da Paulista, não-sei-o-quê-mais e não-sei-o-quê-mais. “O que você quer?” Eu falei, “O rio Tietê.” “Ah, aquele rio fedorento?” “Fotografia não cheira. Ele é lindo, faz de conta que é o Sena.” [risos] Foi lindo! Enfiamos o pé na lama, na beira do rio, até a canela. Mas não apareceu nada disso. [risos]
Almeida  Mas onde vocês filmaram?
Inezita  Na margem do rio, lá na Ponte Grande.
Almeida  Eu nadei no Tietê, mas era ali perto de…
Inezita  Eu também nadei. Você não nadou! [risos]
Almeida  Nadei.
Inezita  Juro por Deus que você não nadou, só se foi jogado. [risos]
Almeida  Nadei, mas foi perto de Barra Bonita.
Inezita – Ah, bom, no interior.
Almeida  Por isso eu perguntei onde havia sido gravado…
Inezita  Não, eu nadei na frente do Tietê, do clube. [n.e. O antigo Clube de Regatas São Paulo, hoje o Clube de Regatas Tietê, um dos mais antigos centros esportivos da capital paulista]
Almeida  Não, esse tempo eu não peguei.
Inezita  É lógico que você não pegou. Havia um cocho enorme, com uma rede pequena, porque havia muito lambari, do rabinho vermelho. E a gente saía da piscina do Tietê, a molecada, e ia nadar no rio. Era cercado, era lindo. Então passavam aqueles peixinhos vermelhinhos. Era lindo! Eu tenho uma saudade desse tempo. E você enxergava, enxergava os peixinhos nadando embaixo. Uma água cristalina.

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