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Entrevistas de música brasileira

Herminio Bello de Carvalho

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Herminio Bello de Carvalho

parte 6/18

Não consigo entrar nos arquivos da TVE!

Tacioli – Pelo que diz, o papel que você vê hoje pra música é o social. Ele é o mesmo que você via há 40 anos, Hermínio, ou é foi uma coisa que você percebeu depois?
Herminio  Como eu dizia a você, nada se inventa. Por exemplo: alguém tentou esse estímulo com o pessoal da Escola [Portátil de Música], da qual sou conselheiro. Eu disse assim: “Olha, vocês estão falando de certas coisas que esses meninos nunca ouviram”. Porque eles não encontram nos livros, não encontram na televisão, sobretudo, na televisão. Essa é a minha grande batalha! Não esqueçam, por favor, de’u falar bem mal da televisão, da TVE. Eu tenho que falar bem mal da TVE. Então, imagine um garoto com quinze anos hoje, estudando violão, estudando choro… Que lembrança ele tem do Raphael Rabello, que morreu há 10 anos? Ele tinha cinco anos de idade. Se ele não pegar um tape do Raphael, se não ouvir uns discos, qual será o interesse que ele vai ter no violão dele? Se ele não pegar um tape do Dino, do Meira, do Bonfá, do Baden… Então você tem que ter instrumentos, suportes paradidáticos para que você possa ilustrar o que falta pra essa garotada, o que a televisão, os meios de comunicação não estão fornecendo. Aqui em São Paulo tem o maravilhoso programa do Faro [n.e.Ensaio, programa de entrevistas com figuras da música brasileira exibido na TV Cultura], que é exemplar pra mim. Mas eu deixei na TVE centenas de programas, que a minha vida de 1976 a 90 foi registrar Nelson Cavaquinho, Cartola, Canhoto da Paraíba, Camerata Carioca, Radamés, Elizeth, Aracy de Almeida, Moreira da Silva, tudo que você possa imaginar. E não tenho acesso! Eu fui dar uma entrevista para o Globo na semana passada, página inteira, quando falei que eu não consigo entrar na TVE. Aí o cara da direção da TVE pegou essa frase pra contestar, dizendo: “Como não consegue entrar na TVE se ele esteve aqui dando uma entrevista?”. Eles pinçaram a frase, descontextualizando-a. Eu quis dizer: “Não consigo entrar nos arquivos da TVE”. Era isso o que eu queria dizer. Então estou pedindo um direito de resposta ao Globo. Se não me derem, paciência, vou botar na Internet essa coisa toda, que é a parte podre dos meios de comunicação. E um garoto de 15 nos não pode ter essa informação. Na minha casa tenho uns tapes que, quando coloco, os jovens ficam enlouquecidos vendo Baden, Pixinguinha… O Pixinguinha para eles é uma coisa… Com 108 anos eles nunca viram o Pixinguinha na televisão, não viram o Pixinguinha falando, conversando; nunca ouviram a voz do Villa-Lobos, o Villa-Lobos regendo. Esse seria o maravilhoso papel da TVs educativas.

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