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Entrevistas de música brasileira

Herminio Bello de Carvalho

Herminio-940

Herminio Bello de Carvalho

parte 15/18

Em 1951 ganhei uma coluna de discos na Rádio Nacional

Almeida – Eu queria saber como foi a sua entrada na rádio. Você disse que em casa vocês ouviam muito rádio.
Herminio  É, a Rádio Nacional ficava permanentemente ligada em casa, uns programas ótimos. Eu tinha aqueles ídolos, como Paulo Roberto, Manoel Barcelos, César de Alencar, Renato Lúcio… Alguns programas do Renato Lúcio e do Paulo Roberto eram importantes de informações, ótimos, como Um milhão de melodias… Esse universo todo entrava no meu ouvido. E o carnaval? O cancioneiro do carnaval me fascinava…
Tacioli – Você brincava o carnaval?
Herminio  Brincava o carnaval. Eu me fantasiava. Geralmente a minha fantasia durava três anos, que era herdada dos meus irmãos. Era índio num ano, um índio do outro de outro e sempre um índio meio surrado. Mas era engraçado. Eu adorava o carnaval. Tinha perto de casa um casal, Burlamarqui, que fazia umas sessões de música. Com cinco, seis anos, eu ia e cantava em cima “O jardineira / Por que estás tão triste?”… Eu cantava música de carnaval. Eu digo até que a semente tenha sido plantada na escola pública quando repeti o terceiro ano. Nunca fui um bom aluno.
Tacioli – Você aprontava ou era um aluno disperso?
Herminio  Não aprontava.
Tacioli – Não aprontava?
Herminio  Não aprontava muito, não. Eu era um menino muito quieto. Por ser o mais novo e muito mimado, eu devia ser meio afeminado. No quarto ano eu recebi o diploma de melhor aluno da escola, porque foi no quarto ano que fui o presidente do centro cívico Carlos Gomes, onde eu escrevia textos quando eu fazia esquetes. Eu fazia, eu produzia.
Tacioli – Quando foi essa virada?
Herminio  Já era produto daquele negócio de canto orfeônico. Era uma inquietação! Então fui imitar um pouquinho no centro cívico Carlos Gomes o que eu ouvia em rádio. Acho que era um processo. Hoje eu penso que tenha sido isso, reproduzir aquilo que o rádio me dava de alimento, e isso era fantástico! Era uma coisa rica! Aí, dos quinze aos dezesseis anos de idade, quando saí de casa pra viver sozinho, fui numa revista de rádio, porque eu freqüentava a Rádio Nacional. Eu comprava ingresso de lá. Eu conseguia um dinheirinho pra ver a Rádio Nacional… Volta e meia ia ao programa do Sérgio Alencar, que era uma coisa maravilhosa. E, de repente, eu vou e chega uma revista que havia sido inaugurada, uma revista péssima por ser rádio-entrevista. Aí me disseram: “Queria que você escrevesse crítica sobre rádio. Você escreve?”. “Escrevo muito bem.”
Almeida – Com dezesseis anos?
Herminio  Por sorte o cara era quase analfabeto. Era fácil pra ele. Ele já morreu. Então, posso falar isso. Não vou dar o nome dele, mas eu sabia que ele financiava a revista desviando dinheiro da Casa Canadá, onde ele era o contador. [risos]
Almeida – Uma boa causa.
Herminio  Uma boa causa. E eu, em 1951, ganhei uma coluna de discos. Os Cariocas, Zezé Gonzaga, Heleninha Costa… eu, que era aquele fã, passei a conviver com meus ídolos por ser repórter dentro da Nacional… Entrevistava bem…

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