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Entrevistas de música brasileira

Herminio Bello de Carvalho

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Herminio Bello de Carvalho

parte 12/18

O “Antonico” é a maior carta de solidariedade humana

Tacioli – Herminio, queria saber como era a sua casa na infância. Que imagens você tem dessa casa?
Herminio  Eu estava na Escola Portátil de Música, lá em Ramos, numa unidade do SESC, onde fui fazer uma espécie de palestra chamada “Levando um lero”, que era uma palestra em que se dizia assim: “hoje vamos falar sobre…”. E aí disse “vamos falar sobre epistolografia. O que é epistolografia, quem sabe?”. E eu dei pra cada um questionário pra depois responderem, fazer uma avaliação da palestra. Então, epistolografia é a arte de escrever cartas, uma coisa que o Mário de Andrade fazia muito, o Drummond,; hoje você troca e-mail. Em música popular se faz epistolografia? Aí liguei pra uns amigos meus, o Maurício, a Luciana, o Zé Paulo, o Pedrinho e cantamos o “Cordiais saudações”, de Noel Rosa, o “Antonico”, que é a maior carta de solidariedade humana que eu conheço, o “Caros amigos”, que é uma carta política, a carta do Vinicius e do Toquinho, aquela “Rua Nascimento Silva, se você ir ensinando pra Elizeth, as canções do Canção do amor demais”… É uma carta! E a garotada foi se entusiasmando… “Agora escrevam alguma coisa enquanto converso aqui, enquanto toco música”. Escreveram e me entregaram os papéis. “Vocês acabam de exercer a arte da epistolografia.” É uma forma simples, entendeu? Essa coisa é a minha grande frustração: não ter sido um educador, que essa era a função da minha vida. Teria sido um educador. Eu tenho um grande respeito pelo Darcy, pelo Mário que era sobretudo um educador, pelo Paulo Freire, por todas as pessoas que pensaram no Brasil e que pensaram na criança… Do Villa-Lobos, a educação musical.

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