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Entrevistas de música brasileira

Heraldo do Monte

Heraldo do Monte. Foto: Jefferson Dias

Heraldo do Monte

parte 15/18

O folclore é dinâmico

Tacioli – E qual é a sua relação hoje com Pernambuco e Recife?
Heraldo do Monte – Há uns três anos eu passei dois anos lá. Minhas férias são assim: eu levo os móveis e vou fazer o que eu chamo de “uma atualização cultural”. A gente já foi, sei lá, umas 15 ou 20 vezes nessa…
Cirino – De mudança.
Heraldo do Monte – É, de mudança. Sempre.
Max Eluard – Mas sempre sabendo que vai voltar.
Heraldo do Monte – Sim, sim. Dessa última vez os caras botaram uma foto bem grande no Jornal do Commercio, “Heraldo voltou para ficar”.
Cirino – Tem uma campanha lá pra te reaver.
Heraldo do Monte – Provavelmente. “Voltou para ficar”. Eu falei: “É, quem sabe”.
Tacioli – Quais foram as novidades dessa última “atualização cultural”?
Heraldo do Monte – Eu escutei os novos maracatus. São muito parecidos com os antigos, com alguma diferença. Convivi com um pessoal: com Duda, um mestre do frevo, os meus amigos de sempre, com o Spok. Fiz parte de um disco em que o Sandro Haick, guitarrista daqui, e o Luciano Magno, guitarrista de lá, criaram para homenagear o Dominguinhos. Eu participei de duas faixas. O Spok participou de outra…
Max Eluard – E qual é a sua relação com a tradição, Heraldo? Dá pra ver que você a respeita muito, mas, ao mesmo tempo, você também a subverte. Qual é a sua relação com a tradição da música?
Heraldo do Monte – Algumas coisas me irritam. O Paulo (Moura) me disse uma frase que não é dele, mas que é muito boa: “O folclore não é estático. Ele é…”, como é o termo que ele usou? Esqueci. “Não é estático, é…”. O contrário de estático…
Max Eluard – Dinâmico.
Heraldo do Monte – É, dinâmico. “O folclore é dinâmico!” Se você fecha com um folclore estático…
Cirino – Morre.
Heraldo do Monte – Morre. Exatamente. É exatamente isso aí.
Tacioli – O Paulo Moura que falou isso?
Heraldo do Monte – Foi.
Max Eluard – Uma vez, quando a gente entrevistou os meninos do Cordel do Fogo Encantado, o Clayton, violonista do grupo, falou sobre tradição: “Rapaz, quem tem raiz é arvore. E árvore não se mexe”. 

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Heraldo do Monte – É verdade, é isso mesmo. Por isso que eu não entendo como as pessoas não querem que eu ponha mais duas cordinhas na viola.
Cirino – Você falou que estava compondo bastante coisa rítmica. Você pensa num ritmo de antemão, como um xote ou um baião? Ou o ritmo vem com a linguagem melódica, harmônica, já é um ritmo misturado?
Heraldo do Monte – A maioria já penso um ritmo. É até mais fácil, né? Mas as outras eu começo a fazer uma série de células rítmicas à toa e depois não sei o que vai ser aquilo.
Cirino – Uma célula rítmica que não tem essa característica de um gênero.
Heraldo do Monte – É, isso. Por isso costumo dizer: por causa das patrulhas, eu nunca digo que minha música é um choro. Eu digo que é uma “espécie de…”. É uma espécie de choro, meio samba. Aí desarma os caras.

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