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Entrevistas de música brasileira

Heraldo do Monte

Heraldo do Monte. Foto: Jefferson Dias

Heraldo do Monte

parte 13/18

O Som da Gente dava liberdade total

Tacioli – Heraldo, vamos falar de um outro período, o do Som da Gente. Foi uma experiência importante em São Paulo para a música instrumental, dos anos 80 ao início dos 90. Como foi isso pra você que integrava o Grupo Medusa, não?
Heraldo do Monte – A gente gravou com o Medusa no Som da Gente. E gravei disco meu também: Cordas vivas e Cordas mágicas. O legal do Som da Gente é que eles davam total liberdade, não tinha aquele negócio de “Eu vou produzir”, não! Inclusive tem uma música num dos discos que a gente chama “Monte Pascoal”, eu e o Hermeto. A primeira coisa que a turma fez quando chegou no Brasil foi conhecer o sobrenome dos rapazes. [risos] Haja tino, haja liberdade pra deixar. Era uma coisa assim: eu e o Hermeto. Também tenho um pouco de loucura. Eu com um violão Takamine de cordas de aço e o Hermeto de piano. Agora, a aventura: a gente não ensaiou uma nota. “Vamos começar a tocar assim que acender a luz vermelha.”
Max Eluard – Não combinaram nada.
Heraldo do Monte – Nada, nada.
Max Eluard – Quem deu o primeiro acorde?
Heraldo do Monte – Só ouvindo a gravação, só ouvindo a gravação. A gente começou um a responder ao outro, mas da maneira mais maluca, e a mulher deixou, a Teresa deixou…
Heraldo do Monte – Até chegar uma solução o dinheiro fica difícil. Enquanto isso vou quebrando uns galhos aí. Domingo vou com o Dominguinhos para aquela cidade…
Tacioli – São Luiz do Paraitinga.
Heraldo do Monte – É. Como é que você sabe?
Tacioli – Semana da Canção, né?
Heraldo do Monte – Isso. Vou lá.
Tacioli – Vai tocar no coreto? Na praça?
Heraldo do Monte – Não sei.
Tacioli – O Dominguinhos está melhor?
Heraldo do Monte – Ele tá na luta, mas quando chega no palco, ele senta lá e manda ver.
Cirino – Ele senta lá e esquece tudo.
Heraldo do Monte – Manda ver. Teve um dia que a gente tocou, há pouco tempo, e ele estava bem ruinzinho. Ele ia fazer só três músicas. E vai tirar o homem do palco? Começou e tocou um tempão. Quando ele entra em contato com o público, o pessoal começa a cantar as músicas dele, ele fica forte.
Tacioli – A gente gostaria muito de conversar com ele também. Ele é uma figura importantíssima. [n.e. Entrevista foi realizada com Dominguinhos em 27 de outubro de 2011]
Heraldo do Monte – Legal, é importantíssima.
Tacioli – São Luiz do Paraitinga, domingo, então.
Heraldo do Monte – Isso. A gente vai sair daqui…

Show de lançamento em São Paulo do primeiro disco do Grupo Medusa. Foto: acervo HM

Cirino – São Luiz do Paraitinga.
Heraldo do Monte – É aquela cidade que a chuva acabou com a igreja, não-sei-o-quê.
Lurdes – Onde é?
Tacioli – Você vai pra lá também?
Heraldo do Monte – Quantos quilômetros?
Max Eluard – É perto daqui, não é muito longe, cerca de uma hora e meia.
Heraldo do Monte – Ah, tá.
Lurdes – Ele falou que era 200 km pra você.
Heraldo do Monte – O empresário do Dominguinhos…
Max Eluard – Acho que é um pouco menos.
Heraldo do Monte – Só sei que a gente vai almoçar lá no domingo. A gente sai antes.
Cirino – Eles fazem concurso de marchinha lá até hoje.
Heraldo do Monte – É? Legal.
Tacioli – Tá valendo, Max?
Max Eluard – Vamos retomar o segundo tempo, Heraldo.
Heraldo do Monte – Diga.
Tacioli – A gente já está na prorrogação. Não vamos assustar o Heraldo.
Heraldo do Monte – Sim… E as fotos, mostrou alguma? Não?
Tacioli – Não mostramos, vamos escaneá-las.

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