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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

parte 7/25

O próximo trabalho é fazer o Cem Dias Entre o Céu e o Mar

Max Eluard – Agora, como que você chegou na música infantil?
Hélio – Então, no começo de tudo eu fazia trilhas. Trilha pra peça de teatro, pra jornalismo, trilha pra adulto, trilhas em geral. Fiz composição na ECA, me formei compositor lá. E concomitante a estudar na ECA, fui do Rumo o tempo todo. Eu dava aula pra criança também, pra conservatório, essas coisas, pra ganhar dinheiro. Então, já na época em que eu dava aula pra criança, fiz algumas músicas durante essas aulas. “Noites no castelo, que foi uma música forte pra mim, foi feita numa classe de conservatório com crianças de 4 anos. Aí o tempo passou, fiz bastante trilha que não era de criança, trilhas adultas, e acabei chegando na TV Cultura. Lá, primeiro, fiz as trilhas de jornalismo. Entrei lá pra fazer identificação da emissora e trilhas de jornalismo. E foram aparecendo alguns trabalhos pra fazer… Aberturas de programas de crianças. Então fiz primeiro um programa chamado Banho de aventura, que foi uma coisa feita com bonecos. Já havia o personagem Júlio, mas ainda não existia oCocoricó. Logo em seguida veio o Glub Glub. O Glub Glub foi o primeiro abre-alas para o meu trabalho lá dentro. Porque essa coisa de fazer uma abertura cantada, em que a letra é só um glub o tempo todo, e só com aquilo ter conseguido fazer tudo, uma coisa muito assim… Porque quando eu fazia propaganda também aprendi a mexer muito bem em computador, sampler. Eu edito bem, programo bem. A propaganda me deu muito acabamento. E eu também fazia vinhetas pra rádio, que são sons que tem que vir lá e bater na cara, som bravo, né? Então, essas aberturas da TV pegaram uma cara comercial, pegaram uma cara chamativa. A TV estava subindo, as coisas começaram a dar muito certo. E depois de fazer aberturas, comecei a fazer canções pra dentro dos programas.
Tacioli – Não havia mais ninguém que atuava nessa área?
Hélio – Atuavam, um monte… Ô, havia. O Castelo mesmo, tanto o Rá-Tim-Bum como o Castelo Rá-Tim-Bum eram muitos músicos, cada um fazia uma parte do programa. O Cocoricó e o Glub Glub não, já eram programas muito menores, com uma verba muito menor, eu fazia sozinho.
Max Eluard – Houve um momento em que você percebeu “Nossa, essa é a minha área”? Você lembra desse momento?
Hélio – Pra mim não foi exatamente assim. A uma certa altura no trabalho da TV Cultura, eu já tinha muitas coisas feitas, que havia feito sucesso pra criança, mas era uma coisa dispersa. Aí resolvi reunir todos os trabalhos num CD e fiz o Meu pé, meu querido pé, que é uma coletânea de tudo que eu tinha feito até esse momento. E logo que passou o Meu pé, que tinha canções que me trouxeram muitas coisas, como oRatinho tomando banho, o “Tu Tu Tu Tupi”, umas canções lá que ultrapassaram os limites da TV, fui mais longe que a TV, fiquei com uma vontade de fazer um disco inteirão…
Dafne – Como disco mesmo.
Hélio – Como disco que tivesse uma sonoridade, que fosse uma época, que fosse um álbum. E algumas canções boas do Cocoricó ainda tinham ficado sem gravar. Fui em busca de uma história que pudesse conter as que já estavam prontas e me dar meio que o contexto pra eu fazer músicas novas e fazer esse albão. E essa história foi oGigante da Floresta, que era uma vontade que eu tinha de fazer os personagens encostarem num fato real e produzir um musical com eles. E que me pudesse fazer com que as crianças tivessem tempo de mergulhar em uma canção e ficar mais tempo lá dentro. Eu queria abrir um espaço onde pudesse mandar no galinheiro e falar, “Agora vou relaxar aqui.” E o Gigante tem uma música de 4 minutos, e uma outra de 9 e tanto. Conseguimos esse resultado, né? Pra você ver, agora, essa semana aqui em que estamos, estou ensaiando o Gigante com 60 crianças do SESC Consolação. É um barato ver crianças de 7 a 11 com aquelas letras gigantescas todas na ponta da agulha. Um barato! O Gigante foi um discão, sabe? As composições ficaram super fortes, o Tuco Marcondes tocou dobro, o Proveta fez os arranjos de sopro, gravamos com três sax da Mantiqueira aqui, o Marcos Suzano fez a percussão. Era uma farra, cara! Assim, 9 meses de farra, de êxtase absoluto aqui produzindo esse negócio. Tudo era maravilhoso, a vida era uma maravilha, tudo! [risos] Aí depois fizemos um apresentação do Gigante, ao vivo, no SESC Pompéia, com 24 pessoas no palco, entre bonecos e cenário, músicos, com a banda inteira. Fizemos tudo ao vivo. Na hora de gravar, falei para todos músicos, “Ó, não faz mandracaria, porque vamos tocar isso ao vivo, do jeito que a gente gravou”. E fizemos isso ao vivo. Foi uma felicidade esse negócio! E numa das noites em que a gente estava apresentando o Gigante, o Amyr Klink foi assistir. Foi conversar comigo. Falei, “Ó, meu, quero fazer o Cem Dias pra criança. Eu queria que a próxima história fosse o Cem dias.” Então, estou focado nessa direção agora. O próximo trabalho grande, desse tamanhão assim, é fazer o Cem dias.

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Hélio Ziskind
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