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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

parte 24/25

A TV resiste em fazer um programa sobre o que é invisível

Tacioli – Ao Rio?
Hélio – É.
Tacioli – Por que essa motivação? Desbravar?
Hélio – Fazer contato com esse mundo aí.
Tacioli – Como é sua relação com o Rio, com música pra criança feita lá?
Hélio – É zero por enquanto.
Tacioli – Zero?
Hélio – A gente não foi lá ainda. Agora é que estamos começando…
Tacioli – Porque as músicas chegam lá, não?
Hélio – Porque lá no Rio eu não tenho o apoio da TV Cultura como tenho aqui. Da TV Cultural somente alguns programas passam pela TVE, que é um negócio super meia boca, não tem a presença que tem aqui. Então por isso que pra ir pra lá, precisava aprontar essa autonomia em relação à TV. Aqui a gente não sentia esse problema… Mas agora vamos ao Rio.
Diego – Funk carioca?
Hélio – É.
Diego – E tem bastante apelo com criança também.
Hélio – Muito. E é interessante porque estou cantando o Gigante com essas crianças, e eles não conseguem bater o pé do funk e cantar ao mesmo tempo, porque justamente um coisa está embaixo, a outra coisa está no contratempo. Pô, de 11 anos ainda é complicado o funk. Eles conseguem cantar ou dançar, as duas coisas ao mesmo tempo, não. Aí, um ou outro vai dando um modelo de como o corpo pode se mexer pra harmonizar as duas coisas. É muito interessante.
Tacioli – Mas você pensa também em trabalhar com criança que já está nesse universo do funk e que tem essa característica de bater e cantar?
Hélio – Em alguma hora seria interessante ter isso, ter percussionistas, ter outras coisas… Seria legal.
Tacioli – Ou crianças do samba de roda baiano.
Hélio – É. Se esse negócio do programa de TV der certo, uma das atividades é fazer roda de criança pra ir buscar essas situações.
Max Eluard – O que é programa, Hélio?
Hélio – Pois é [risos], estamos descobrindo. É gozado, na TV Cultura a música tem uma presença enorme, mas ninguém sabe responder o que seria u m programa de música pra criança.
Max Eluard – Você chegou a ver aquela série que era apresentada pelo Wynton Warsallis, Percebendo a música, que era voltado para as crianças? Seria algo parecido?
Hélio – Não, eu acho aquilo um pouco contemplativo demais. Acho que tem que entrar no mérito de cantar junto com as crianças, das crianças assistirem às outras cantando ao vivo na TV.
Dafne – Meio dando aula?
Hélio – É. Então, até onde a brincadeira com música vai, a pergunta mais interessante é essa: por que as pessoas têm tanto medo de um programa que não é um programa de desenho, mas um programa em que o assunto é a música, que tem essa importância tão central na vida das crianças, né? Então, a TV resiste em fazer um programa sobre o que é invisível. Dá pra levar o músico, dá pra levar o instrumento… Essa atividade do cara que não está cantando para um público, que está cantando pra si, está ensaiando, essa coisa íntima, interna, né? Como criar situações pra fazer isso na TV? Isso está sendo um desafio novo, sabe? O exemplo mais próximo que tenho é a antiga transmissão do Festival de Jazz, que a Cultura fez, em que os câmeras entravam por dentro da música e conviviam com a música, né? Então, como propor isso num universo pra criança? É isso que está em andamento lá. É bacana, porque lá é o lugar onde se pode pensar isso.
Tacioli – O Catavento tinha um pouco dessa…
Hélio – Tinha. O Catavento era de uma “geração de ao vivos”, que tinha somente fera. Aquilo era uma base extraordinária.
Tacioli – Eu lembro, as pessoas tocando violão e tudo era muito musical.
Hélio – É.
Tacioli – E a produção parecia muito barata.
Hélio – Muito barata.
Tacioli – Era num parque, eu não sei onde que era gravado aquilo.
Hélio – É. Tinha aquele Bambalalão também, que era muito bom.
Tacioli – Mas é isso, Hélio, obrigado pela entrevista…
Hélio – Legal, obrigado a vocês também.
Tacioli – Pela paciência e pelas histórias. E, em breve, em outubro, a entrevista estará no ar.
Hélio – Legal.
Tacioli – E sobre o show do Rumo que você falou que será no fim do ano?
Hélio – Não sei quando é, dizem que é no fim do ano. [risos]

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