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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

parte 22/25

Seria o equivalente ao Let it be

Dafne – Mudando de assunto, como você vê o disco infantil do Rumo e os seus?
Hélio – Ah, são da mesma natureza, porque primeiro que o Luiz, que nunca deu pelota pra esse negócio de música pra criança, já saiu gozando… As músicas de crianças que ele fez são muito boas, cara! O “Robô Bibelô”… Quem mais pensaria uma idéia daquela? Achei demais isso! Porque o Luiz ficou na dele, eu fiquei na minha, o Pedro ficou na dele. Ninguém saiu do seu canto pra fazer um negócio. É que a gente dava aula, havia uma coisa acumulada ali pra fazer e então fizemos. Mas é muito parecido nesse sentido de ser uma coisa feita pra gente mesmo. Era o resumo da história da gente. A “Augusto Ruschi” [n.e. “A incrível história do Dr. Augusto Ruschi, o naturalista, e os sapos venenosos], é uma música linda, linda, linda! Até hoje peço pro Paulo tirar no violão de novo, porque é muito lindo aquilo, né? Então, foi um disco legal de se fazer, mas ele já é um disco, como é que se fala, não é o grupo inteiro fazendo um disco, já é um ajuntamento de coisas autônomas que foram agrupadas ali.
Tacioli – E poderia haver esse rearranjo novamente, Hélio?
Hélio – Seria o equivalente ao Let it be! Ainda não é o Abbey road. Depois eles ainda disseram, “Não, vamos fazer um que é pra matar?!” Foi esse que faltou.
Tacioli – Mas pode ter?
Hélio – Eu acho difícil, né? Agora o que pode ter… O Geraldo Leite está cutucando no site do Instituto Moreira Salles, que agora pode ser consultado o banco de canções pela Internet. O Geraldo está animadíssimo. Ele achou umas 30 músicas extraordinárias, e com duplas, tal. E a gente está afim de, ou ensaiar ou gravar alguma coisa dos antigos. Talvez saia, sabe? E talvez até saia como um Rumo aos antigos, assim. Mas, do ponto de vista das carreiras pessoais, as coisas já estão indo. O Luiz já tem o caminho dele… Pra mim, o Rumo é um trem cruzando a minha vida, um negócio que a gente precisa parar tudo pra fazer aquilo e depois que passa deixa um rastro de destruição. Você tem que sair correndo atrás daquele negócio que você deixou de fazer. Então é muito custoso. É muita gente com muitas vidas pra sincronizar, é um trampo! Pra lançar os discos, todo mundo prendeu a respiração e fez. Foi um sufoco descolar ânimo pra gravar o DVD com a Cultura. Então, acho difícil um disco de composições. Também não se pode dizer que dessa água não beberei, que daqui a pouco vem os nove aqui e falam, “Você vai, né?”, e eu, “Vou!” Vou dizer “não?” O cacete!!

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