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Entrevistas de música brasileira

Hélio Ziskind

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Hélio Ziskind

parte 18/25

Dá para viver em São Paulo

Tacioli – Comecei a pensar num texto do Wisnik que fala a música de São Paulo, de como ela é difícil de se mostrar pra fora de São Paulo, como ela é estranha para o resto do Brasil, por ter como particularidade a mistura. Não há uma cara.
Hélio – Não sei se não tem uma cara definida, viu? Aqui a gente não precisa muito sair de São Paulo. Dá pra viver aqui. Isso aqui é um mundo, eu vivo somente aqui, saio pouco daqui, né? E o trabalho expandir é legal, você vai tendo um poder pra chegar em outros lugares. Mas aqui se vive, né? E eu não sei se não tem cara, viu? Tive essa experiência do Encontro da Canção no ano passado, de ter tocado pra pessoas de outros países, de ter tocado pra gente que era de outros estados e que não conhecia. E a reação das pessoas é muito diferente. Parece que até se associa a São Paulo… Se vocês vissem o Luiz Tatit tocando pela primeira vez, de onde vocês diriam que ele é? [risos] Tem jeito, né? Então, não sei, o Zé Miguel tem sempre um universo, ele sobrevoa paisagens enormes, extensas, né? Ele tem uma percepção disso e ele é também uma outra figura desse negócio, mas não sei… A gente também acha que não tem sotaque, né? Isso não é verdade.
Dafne – O Rio tem o samba e a bossa nova, a Bahia tem outras ondas… São coisas muitos conhecidas em todo o Brasil, e São Paulo…
Hélio – Não, mas é diferente porque a particularidade do Nordeste e do Norte está com a mudança nos tambores. Tá certo, os caras inventaram umas máquinas de tocar tambor lá que é do Peru mesmo, então lá tem timbres novos associados com emissões vocais novas. O Chico Science é uma, implantou um modelo de voz, abriu uma… Pode vir gente atrás dele, é um tipo de emissão diferente. E os baianos são artistas realmente por excelência, porque são tão cheios de si, a gente tem que dar o braço a torcer. Realmente eles não tem dúvida, nunca, até quando são ruins, é uma coisa que não tem dúvida. Interessante naquela exposição do Brasil 500 anos quando se falava dos artistas religiosos que vieram pro Brasil fazer as santinhas pra povoar as igrejas. As igrejas traziam artistas… As da Bahia já eram mais douradas, mais pintadas, e logo no começo já foram exportadas porque eram as mais bonitas. Isso aí é 1502, 1503… Mas, o Rio, não. O Rio é uma concentração de mídia, e nesse ponto a cultura em São Paulo ainda está um pouco selvagem pra gente. Já há focos de grande cultura com grandes peças para grandes teatros, mas esse universo de 400, 500 lugares ainda é um universo muito reduzido. Tem poucos teatros aqui… Não fosse o SESC em São Paulo a gente estava perdido, porque é um lugar onde dá pra ter um público crescente nessa faixa, tem uma coisa do aonde se desenvolve a cultura. Tire o SESC… Onde as pessoas se apresentam?

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